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Santos Silva: “O tempo não está para radicalizações mas para compromissos”

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Marcos Borga

Coube ao ministro dos Negócios Estrangeiros, número dois do Governo, o encerramento do debate do Programa do Governo. Santos Silva fez questão de reiterar o apelo aos consensos: “Todos somos indispensáveis”

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

O número dois do Governo propôs, dirigindo-se às bancadas da direita que pontuaram de apartes a sua intervenção: “Que o ressentimento que se nota aqui e ali seja revogado sem delonga”.

O tempo é de paz ou, nas palavras que Augusto Santos Silva escolheu, de "compromissos". Já antes, Carlos César, líder parlamentar do PS, garantira que os socialistas procurarão “incessantemente o consenso”. O MNE veio lembrar que “o tempo não está para radicalizações mas para compromissos” que “todos somos indispensáveis”. Dito de outra maneira: “A hora é de reunir o que foi dividido”, “superar o ressentimento e a crispação”. E nesta tarefa, sublinhou, “todos precisamos de todos”.

“Não é preciso virar apenas a página da austeridade, mas também a do desprezo e indiferença pela concertação social, pela contratação coletiva, a da autosuficiência política e da incapacidade de estabelecer pontes e fazer acordos”. Foi a sua maneira, ainda assim moderada, de voltar a “malhar na direita”, garantindo que “não haverá da parte do Governo nenhuma atitude de comprazimento” quando, num futuro próximo, “alguns deputados, ainda ressabiados," deixem de o ser.

Acusou PSD e CDS de "interpretações judiciosas" do programa do Governo, de algum"nervosismo” ao mostrarem-se preocupados com “o alegado pesos excessivo do incentivo ao consumo”, a “consolidação orçamental”, o “clima político e a estabilidade governativa”. Mas preferiu enfatizar: se é verdade que a maioria parlamentar que sustenta o Governo “é plural” e as “posições conjuntas não dissolveram as diferenças de identidade”, “a pluralidade não é obstáculo, antes é alimento da ação”. E repetiu: “A delicadeza da situação torna indispensável uma cultura política assente no diálogo, na concertação, no sentido do compromisso”.