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Portas diz que Costa, Catarina, Jerónimo e Heloísa são “BFF”. Passos riu-se muito. LOL

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Marcos Borga

Paulo Portas não amacia o tom com António Costa: o “senhor primeiro-ministro, vírgula, mas não o primeiro-ministro que o povo escolheu”

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Primeiro foi Mário Centeno – no dia de arranque do debate do programa de Governo, o ministro das Finanças fez Pedro Passos Coelho perder a sua cara de poker para se rir até às lágrimas. Terá sido um efeito involuntário do discurso do novo ministro, ao alertar para os riscos do sistema financeiro e remeter para o Banco de Portugal e para a Europa as respostas à situação no Novo Banco e no Banif.

Esta manhã, Passos voltou a tirar a cara de pau, outra vez para se rir à gargalhada. Desta vez, por efeito intencional do discurso de Paulo Portas, que recorreu ao jargão dos adolescentes nas redes sociais para classificar a relação dos líderes da esquerda como “BFF”. “Best friends forever” – “amigos para sempre”.

“Ficam escolhidos hoje os seu BFF”, disse Portas para António Costa. “Catarina é best friend de António, António é best friend de Jerónimo, Jerónimo – e só isso não é novo – é best friend de Heloísa.” A esquerda protestava, a direita ria e aplaudia. LOL.

Portas tirou a conclusão: será destas nova redes de “BFF” que depende o futuro do Governo. “Dependendo deles, cairá. É a vida.” Essa, disse Portas, é a importância da moção de rejeição do programa de Governo que PSD e CDS propõem e irá a votos na tarde desta quinta-feira: separar águas e clarificar alinhamentos.

“Na ausência de uma moção de confiança, só a moção de rejeição permite o voto clarificador. Não havendo nem uma nem outra, este debate ficaria sem conclusão. Seria uma espécie de dissolvente da ilegitimidade que vos incomoda. Seria uma partida amigável”. E Portas deixou claro que, consigo, não haverá partidas amigáveis com a esquerda.

O arranque do discurso do líder do CDS foi logo aquilo que no futebol se chama uma entrada a pés juntos. Logo nos cumprimentos protocolares. Referiu-se a António Costa como “Senhor primeiro-ministro, virgula, mas não o primeiro-ministro que o povo escolheu”. Houve aplausos à direita e pateada à esquerda. Se na quarta-feira Marco António Costa, pelo PSD, pareceu começar a amaciar o discurso em relação ao Governo, Portas, pelo CDS, voltou a endurecê-lo. Referiu “quem se senta na bancada do Governo, onde o povo quando votou não vos colocou”.

Disse de Costa ser “o primeiro chefe de Governo que o é porque perdeu as eleições”, o “único militante socialista de quem se pode dizer que chega a primeiro-ministro sem legitimidade politica para o ser”, o “primeiro caso na democracia de um político que tinha de ser primeiro-ministro à viva força para poder continuar ser líder do seu partido.”

“Assim o é apenas e enquanto o politburo do Partido Comunista entender que deve ser”, previu Portas, com Passos a rir-se muito. “O BE já está na lapela do dr. António Costa. É a vontade do PC que decidirá o estilo do Governo de Portugal”, insistiu Portas. E deixou claro o que prepara para a legislatura: Vossa Excelência preferiria a nossa moleza, terá a nossa firmeza”, prometeu.