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Portas ataca esquerda: “Só há maioria enquanto o politburo do PCP assim o decidir”

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Marcos Borga

Aplausos, risos, pateadas, queixas bem sonoras. Houve um pouco de tudo na reação ao discurso do antigo vice-primeiro-ministro no segundo dia do debate sobre o programa do Governo. Os alvos estavam bem definidos: António Costa, Mário Centeno e o PCP

Ataques à “ilegitimidade” do Governo liderado por António Costa e insistência na influência comunista no novo Executivo. Assim se pode resumir a intervenção de Paulo Portas esta manhã no Parlamento, se nos focarmos nas palavras ditas pelo antigo vice-primeiro-ministro. Olhando para as bancadas, a história é outra: pateadas, risos e interrupções de Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, para tentar manter a ordem.

António Costa é o “primeiro-ministro que o povo não escolheu”; Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e Heloísa Apolónia, os líderes do BE, PCP e PEV, são o “BFF” (Best Friends Forever, ou Amigos Para Sempre). Estes foram alguns dos soundbites que marcaram a intervenção de Portas, que decidiu começar o seu discurso neste segundo dia de debate sobre o programa de Governo questionando a legitimidade do Governo de Costa: “António Costa é o primeiro chefe do Governo que o é porque perdeu as eleições. É mesmo o único militante socialista que chega a primeiro-ministro sem legitimidade para o ser. Eis uma incómoda certidão de nascimento”.

Na mesma linha de argumentação, o líder do CDS fez ainda questão de referir que “de Costa se poderá sempre dizer que os fins justificam os meios”, uma vez que, para Portas, “só é primeiro-ministro porque, não tendo o povo votado nele, está o presidente da República impedido constitucionalmente de voltar a chamar o povo a votar”.

Segundo ponto do discurso de Portas: falar da influência que PCP poderá vir a ter no Governo PS. Num dos momentos que mais risos provocaram nas bancadas da direita - e, do outro lado, muitas reclamações -, Portas defendeu que “só há maioria enquanto o politburo do PCP entender que o deve ser”. Para a “esquerda radical que admite a saída do euro”, vários recados: “Vocês querem as empresas do Estado para contestar nas ruas a ordem e desorganizar a vida das famílias. Está no vosso ADN: não é nas instituições, é na rua que as vanguardas se afirmam”. E rematou, respondendo às queixas das bancadas da esquerda: “Aqui dentro estamos numa instituição, não estamos numa manif de rua”.

O antigo vice-primeiro-ministro teve ainda tempo de criticar a intervenção protagonizada esta quarta-feira pelo novo ministro das Finanças, Mário Centeno: “Que triste começo do Ministro das Finanças, quando veio dizer que a saída limpa de Portugal tinha sido um pequeno resultado. Sinto-me insultado como português”. E acrescentou: “Ou queria um segundo resgate ou admite vir a pedi-lo. Corrija enquanto é tempo essa frase infeliz”.

Para finalizar o discurso, Portas puxou das acusações de eleitoralismo para atacar o PS: “A austeridade tornou-se inevitável por causa de um resgate pedido por um Governo vossa. A diferença é entre os que querem remover gradualmente as medidas de austeridade e devolver rendimentos merecidos e aqueles que cedem a uma tentação de querer fazer tudo num dia”. Antes de terminar a intervenção, uma última farpa: "Veremos o que faz o Governo, se ao serviço da economia, se ao serviço do PCP".

  • A primeira parte do debate em 10 declarações

    António Costa e Mário Centeno foram os protagonistas do primeiro dia de debate do Programa do XXI Governo Constitucional. Entre ironias, picardias e temas sérios, o primeiro-ministro mostrou-se solidário com os anteriores membros do Executivo e sublinhou que irá repor as prestações sociais. Já o ministro das Finanças falou de resultados pequenos de uma saída limpa. A esquerda esteve satisfeita e a direita nem por isso. De Passos e Portas, apenas silêncio (e algumas gargalhadas)