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Moção de rejeição chumbada, PAN absteve-se (e Jerónimo teve de se levantar)

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Marcos Borga

Segundo dia de debate do programa do Governo do PS ficou marcado pelas intervenções de Passos Coelho, Paulo Portas e Telmo Correia. No final, e com o chumbo pela esquerda da moção de rejeição da direita, o Governo de Costa ficou em pleno exercício de funções. Problemas técnicos da votação permitiram a Jerónimo de Sousa praticar um pouco de ironia

A moção de rejeição ao programa do XXI Governo Constitucional foi chumbada esta quinta-feira pela maioria de esquerda: houve 122 votos contra (o somatório das bancadas do PS, Bloco, PCP e Os Verdes), 107 a favor (PSD e CDS) e uma abstenção - do partido das Pessoas, Animais e Natureza (PAN). A posição do PAN foi a novidade: na votação da moção de rejeição do anterior Executivo PSD/CDS, André Silva alinhou-se com o PS, BE, PCP e Verdes. Desta vez, o deputado do PAN absteve-se - e anunciou que vai entregar uma declaração escrita.

Durante a votação por via eletrónica foram registados alguns problemas técnicos, que originaram sorrisos por parte do presidente da Assembleia da República. Jerónimo de Sousa foi obrigado a levantar-se para assinalar o seu voto contra a moção de rejeição. “É da maneira que fica claro e à vista de todos qual é a posição do PCP”, sublinhou o líder comunista. Numa segunda vez o voto de Jerónimo acabou por contar por via eletrónica.

Este segundo dia de debate do programa do Governo ficou marcado pelas intervenções de Passos Coelho, Paulo Portas e Telmo Correia. Na parte da manhã, o líder do CDS-PP dirigiu-se a António Costa abordando de imediato a questão de legitimidade - e com alguma provocação à mistura: “Senhor primeiro-ministro, vírgula, mas não o primeiro-ministro que o povo escolheu”.

Num discurso irónico e que arrancou gargalhadas por parte das bancadas do CDS e do PSD, Portas apelidou os líderes da esquerda de “BFF”, “best friends forever”. “Catarina é best friend de António, António é best friend de Jerónimo, Jerónimo – e só isso não é novo – é best friend de Eloísa.”

Também Telmo Correia defendeu que António Costa é “o primeiro-ministro não eleito pelos portugueses”, classificando o atual Executivo de “social-comunista”, que carrega consigo a “tralha socrática”, manifestando ter muitas dúvidas quanto à aliança da esquerda.

E deixou ainda um aviso ao Governo: quando a “geringonça quebrar” não contem com o PSD e o CDS. “Os senhores escolheram o rumo. (...) Boa viagem e que não haja acidentes, porque quem normalmente paga os vossos acidentes são os portugueses”, acrescentou Telmo Correia.

Na reta final do último dia de debate, Passos Coelho sublinhou que foi a coligação que obteve mais votos e mandatos nas eleições legislativas. E acusou a oposição de "cinismo político", sublinhando que o partido socialista não quis fazer parte de uma solução governativa conjunta com a coligação.

O antigo primeiro-ministro acusou ainda a esquerda de ter escolhido um Governo "nas costas do povo" e pediu eleições no dia em que o PS pedir a ajuda do PSD.