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Amizade forever, vírgulas, social-comunismo torto e demais ponderações de 13 horas e um chumbo

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Portas falou ao segundo dia do debate do programa do Governo e trouxe um soundbite em forma de sigla - BFF (explicou que agora a esquerda é best friends forever, precisou as nuances da amizade e valorizou as vírgulas). Passos fez como Portas: falou ao segundo dia (mas riu até chorar ao primeiro quando Centeno falou), pediu eleições se o PS precisar de ajuda à direita e elaborou sobre o voto do povo. Costa falou antes de ambos e expressou solidariedade para com os líderes da direita. Pelo meio, Telmo Correia descreveu a ciência política que observa à esquerda, Vieira da Silva dispensou Paulo Portas, Montenegro alertou que ela virá (ela, a fatura) e Catarina Martins enunciou por que motivo a direita está ofendida. Treze horas e meia de debate e uma moção de rejeição chumbada contadas em 24 declarações (e com 27 notícias relacionadas se quiser ir ao fundo da questão)

António Costa: solidariedade (e uma pergunta)

Marcos Borga

1 “Quero manifestar uma palavra de solidariedade para com os deputados Passos Coelho e Paulo Portas porque, estando agora na circunstância em que eu estava no último debate, com certeza vão ser criticados pelas restantes bancadas por não usarem da palavra”

2 “Vão propor rejeitar o programa e deitar abaixo este Governo. E que alternativa apresentam ao país?”

Passos Coelho: o povo... e o povo

Marcos Borga

3 “No dia em que o nosso apoio possa ser decisivo para alcançar algum resultado essencial que a maioria que apoia o Governo não seja capaz de garantir, apenas esperamos que tenha a dignidade de devolverem a palavra ao povo”

4 “O que este programa nos anuncia é o contrário do que Portugal precisa"

5 “Este Governo, assim como o seu chefe, não foram escolhidos pelo povo, foram escolhidos pelos deputados em nome do povo mas nas costas do povo. E esta é a marca genética deste novo Governo. O seu pecado original”

Paulo Portas: amigos forever

Marcos Borga

6 “Ficam escolhidos hoje os seu BFF. Catarina é best friend de António, António é best friend de Jerónimo, Jerónimo – e só isso não é novo – é best friend de Heloísa”

7 “António Costa é o primeiro chefe do Governo que o é porque perdeu as eleições. É mesmo o único militante socialista que chega a primeiro-ministro sem legitimidade para o ser. Eis uma incómoda certidão de nascimento”

8 “Senhor primeiro-ministro, vírgula, mas não o primeiro-ministro que o povo escolheu”

Vieira da Silva: senhor P. Portas, está dispensado

Marcos Borga

9 “Ao ouvir nesta casa a palavra do senhor Paulo Portas, veio-me à memória a peça escrita pelo próprio que mais provavelmente ficará na história da política. Escrevia, há cerca de dois anos: ‘A forma como este governo toma as decisões torna dispensável o meu contributo’. Ora bem, é bom que se habituem: aqui, os representantes do povo decidiram seguir o seu conselho na votação de 10 de novembro [quando o anterior Governo PSD/CDS caiu] – o povo disse que o seu contributo era dispensável e por isso está dispensado”

Mário Centeno: propaganda de uma saída

Marcos Borga

10 “Caídas as máscaras e levantados todos os véus, percebemos que a expressão ‘saída limpa’ foi um resultado pequeno para uma propaganda enorme”

11 “Nós enfrentamos os desafios, não nos escondemos atrás de desculpas ou justificações. Não vendemos ilusões, nem apresentamos quimeras. Medimos economicamente todas as propostas que fizemos”

Augusto Santos Silva: a página do desprezo

Marcos Borga

12 “Não é preciso virar apenas a página da austeridade, mas também a do desprezo e indiferença pela concertação social, pela contratação coletiva, a da autossuficiência política e da incapacidade de estabelecer pontes e fazer acordos”

13 “O tempo não está para radicalizações mas para compromissos”

Telmo Correia (CDS): tralha e social-comunismo

Marcos Borga

14 “Diz o povo, na sua sabedoria, que o que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Esta solução nasce torta porque é liderada por um primeiro-ministro que nunca ganhou as eleições e junta partidos que têm visões opostas do interesse nacional e da integração europeia. (…) O muro não caiu, continua firme. O que caiu foi o PS, para o outro lado do muro”

15 “Além da tralha socrática, este Governo é social-comunista”

Catarina Martins (BE): uma oposição ofendida

Marcos Borga

16 “Vistas as diferenças, é normal que a oposição apresente uma moção de rejeição. O programa é diverso e ofende-a. Apresentem a moção de rejeição. Nós cá estaremos para chumbá-la”

17 “Esconder problemas, como fez a direita, é que trouxe instabilidade permanente à vida das pessoas”

Luís Montenegro (PSD): ela virá

Marcos Borga

18 “Ela virá, a fatura de uma dívida que vai crescer, de um défice que não se percebe como é que não vai aumentar, a fatura do vosso acordo cúmplice, consciente e voluntário, a fatura desta aventura e de um experimentalismo que é de facto perigoso”

Jerónimo de Sousa (PCP): claro e à vista de todos

Marcos Borga

19 “Em 21 dias já confirmámos que a devolução da sobretaxa era um embuste. Que mais ainda vamos descobrir?”

20 “É verdade que não é um programa de Governo do PCP. É do PS, mas um programa onde se regista a vontade de mudança”

21 [durante a votação da moção de rejeição, Jerónimo de Sousa teve de se levantar para votar, depois de a tecnologia do Parlamento ter falhado] “É da maneira que fica claro e à vista de todos qual é a posição do PCP”

Marco António Costa (PSD): o grupo

Marcos Borga

22 “Não pertencemos definitivamente ao grupo dos que pensam que só podem ter uma postura positiva e moderada quando estão no poder”

Heloísa Apolónia (Verdes): não, não é

Marcos Borga

23 “É um programa que Os Verdes assumiriam como o seu? Não, não é. Mas é um programa que contém um conjunto de medidas emergentes que, fruto das convergências para as quais também o PEV trabalhou com o PS, vão contribuir para melhorar a vida das pessoas e, a partir daí, a vida do país”

André Silva (PAN): não é uma utopia

Marcos Borga

24 “Temos de pensar o modo como vivemos na sociedade. (…) Por este desígnio de transição o PAN está aqui, com todos vós. Não é uma utopia. Outro mundo é possível”