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Política

PSD começa a moderar o discurso

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Marcos Borga

Marco António Costa arrasou “o pecado original” - a forma como Costa chegou ao poder -, mas começou a desfazer a ideia de oposição bota-abaixo. “Nunca sujeitaremos o interesse nacional a lógicas partidárias ou a interesses de circunstância”

Ângela Silva

Ângela Silva

no Parlamento

Jornalista

Uma oposição "vigilante" mas "responsável" e "moderada", eis o cardápio deixado pelo porta-voz do PSD no debate do programa de Costa. Muito crítico do "pecado original" que levou o PS ao poder, Marco António Costa deixou, no entanto, transparecer um objetivo: reparar a imagem de que a direita será uma oposição radical ou de mero bota-abaixo.

"O nosso compromisso com Portugal não é de geometria variável, consoante estamos no poder ou na oposição", afirmou. "Não pertencemos definitivamente ao grupo dos que pensam que só podem ter uma postura positiva e moderada quando estão no poder." Para trás ficou a ideia radical de que o PSD dirá “não” a tudo o que vier deste Governo. "A defesa intransigente do interesse nacional é algo que nunca sujeitaremos a lógicas partidárias ou a interesses de circunstância."

Em defesa da moção de rejeição do atual Governo que o PSD e o CDS apresentam esta quinta-feira no Parlamento, o porta-voz do PSD referiu-se ao programa de Costa como tendo "perigos reais e evidentes para o país e para os portugueses". Para memória futura elencou quatro heranças que o governo de direita deixou e que considera estarem em risco.

"Recebemos o país em recessão e entregámos o país com a economia a crescer homologamente há oito semestres; recebemos o país com um défice de 11% e entregámos um país com um défice abaixo dos 3%; recebemos um país incapaz de se financiar, sem acesso ao crédito, e entregámos um país com taxas de juro historicamente baixas; recebemos um país com um desemprego galopante e entregámos o país com o desemprego a diminuir desde janeiro de 2013 e hoje com menos desempregados do que em 2011".

Marco António Costa puxou pelos apoios que, mesmo em crise, diz sempre ter sido garantido aos mais carenciados. "Às tentativas despudoradas para distorcer a realidade e lançar a confusão na opinião pública, responderemos com moderação e pedagogia." A direita rejeita o programa de Costa mas começa claramente a virar a página para uma nova fase em que terá de conviver com ele.