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Política

PCP e BE ora aplaudem, ora não: eis a nova maioria

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Marcos Borga

É uma dança irregular a mímica de palmas na nova maioria. Deputados comunistas e bloquistas seguiram o discurso de António Costa a dois tempos: umas vezes aplaudiram, outras não. O “duro” Francisco Lopes nunca se mexeu

Ângela Silva

Ângela Silva

em direto do Parlamento

Jornalista

Aplausos certinhos, quase parágrafo a parágrafo, António Costa só tem os do PS. A bancada socialista seguiu o discurso do líder na apresentação do programa do seu Governo com cobertura total. Já o mesmo não se poderá dizer dos parceiros à esquerda.

Quando o novo primeiro-ministro anunciou que irá propor o aumento do salário mínimo para 600 euros, comunistas e bloquistas juntaram-se ao coro de palmas. E o mesmo aconteceu quando António Costa rejeitou as "diferenças salariais que desrespeitam a igualdade e género".

Também gostaram e bateram palmas quando o primeiro-ministro defendeu a Segurança Social pública. Mas não se mexeram para aplaudir (ao contrário da bancada socialista), quando Costa deu a sua palavra pela redução do défice e da dívida, ou quando lembrou a estratégia orçamental assumida "por este Governo", com as metas de Bruxelas em pano de fundo.

"Este Governo não servirá os portugueses contra a União Europeia", disse Costa. O PS aplaudiu, o PCP e o BE não. "Nem serviremos a União Europeia contra os portugueses." O PS voltou a aplaudir. O PCP e o BE, que já não tinham batido palmas à primeira premissa, também ignoraram a segunda.

No fim, quando António Costa terminou o discurso de apresentação do seu programa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins aplaudiram e poucos deputados das suas bancadas não o fizeram. Francisco Lopes, membro do Comité Central do PCP identificado com a linha dura do partido, nunca se manifestou. A adesão ao discurso do primeiro-ministro socialista foi seletiva. É assim a nova maioria.