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Costa lança ponte ao PCP para divergências sobre a Europa

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Marcos Borga

Falando sobre o que separa socialistas e comunistas no dossiês europeus, o primeiro-ministro afirmou: “Aquilo que o PCP não está disponível para apoiar é também, é preciso ser claro, aquilo que nós não estamos disponíveis para propor”

Um reforço das convergências à esquerda, sobretudo sublInhada na resposta à intervenção de Jerónimo de Sousa, é o balanço das primeiras intervenções no debate do programa do Governo, quando o primeiro-ministro interveio na sequência dos pedidos de esclarecimento dos líderes do BE e do PCP.

"Aquilo que o PCP não está disponível para apoiar é também, é preciso ser claro, aquilo que nós não estamos disponíveis para propor", disse António Costa em resposta a Jerónimo de Sousa. O tema era a Europa, antes colocado em cima da mesa pela direita, para mostrar as diferenças entre socialistas e comunistas.

Foi Catarina Martins a primeira dos líderes de esquerda a usar da palavra na tarde desta quarta-feira, mas foi na réplica ao discurso de Jerónimo de Sousa que António Costa se alongou mais nas palavras e quis dar sinais de um aprofundamento do espírito dos acordos assinados pelos partidos de esquerda.

O secretário-geral do PCP afirmara que regista a "vontade de mudança" que permitiu a formação do atual Governo, sublinhou ser "necessário ultrapassar divergências existentes" e terminou em jeito de desafio, no momento em que o orador coloca a questão ao primeiro-ministro: "Está aberta uma janela de esperança, daquela esperança que não fica à espera. Será preciso concretizá-la".

Pouco antes, Jerónimo arrancara um dos mais espontâneos aplausos de deputados de todas as bancadas de esquerda, quando aludira a uma "derrota" que ainda não fora falada na tarde desta quarta-feira em São Bento: "A derrota da ideologia das inevitabilidades".

Costa respondeu a Jerónimo, declarando um voto de confiança nos apoios do PCP ao seu Governo, numa perspetiva de legislatura". Pouco depois, foi ao âmago do repto do líder do PCP, dando ao mesmo tempo a bicada da praxe (o inverso é igualmente verdadeiro) a PSD e CDS: "A direita tem dificuldades em compreender que a esquerda, apesar de ser plural, tem a capacidade de se entender no essencial".

Após salientar que "diferenças não são fraqueza", Costa puxou a conversa para o campo da Europa, para então declarar que, no fundo, PS e PCP até podem comungar das mesmas "indisponibilidades".

Assumindo claramente uma oposição a muitos das políticas que têm sido seguidas dentro da União Europeia, mas declarando ao mesmo tempo que respeitará todos os compromissos enquanto as regras não forem alteradas, o chefe do Governo remeteu depois para a necessidade de ser encontrada uma "margem de manobra para a convergência".

Um caminho a fazer dentro da UE, entre os Estados-membros, assinalou o primeiro-ministro, mas também, parecendo aqui apelar à bancada comunista, para ser trilhado pelos que agora suportam o Governo: "É um discurso que temos de fazer, e que temos de fazer todos", disse.

Antes de Jerónimo de Sousa, já Catarina Martins interpelara o primeiro-ministro. Começou por afirmar que o programa de Governo do PS "reflete o acordo" assinado pelo Bloco com os socialistas. A líder do BE escolheu a precariedade nas relações laborais como o principal tópico da intervenção, tendo acabado por questionar António Costa sobre o calendário das políticas para inverter a situação no país. "Será 2016 o ano do fim dos falsos recibos verdes?", perguntou.

Costa invocou a base programática do programa de Governo que preconiza um "Melhor emprego", para de seguida garantir, além da existência de outra legislação, que também "é preciso mais fiscalização", pelo que uma das "prioridades é o reforço da Autoridade para as Condições de Trabalho".

Mas nas palavras do primeiro-ministro não se ouviu então qualquer data sobre "o fim dos falsos recibos verdes".