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Costa sobre o discurso que não aconteceu: “É um incidente burocrático, não valorizo nada”

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Rui Duarte Silva

Ao contrário de cerca de 150 chefes de Estado e de Governo, o primeiro-ministro português não discursou na cimeira do clima de Paris. Governo de Passos foi acusado de não inscrever Portugal a tempo, o ex-ministro do Ambiente Jorge Moreira da Silva garante que Costa podia ter falado na cimeira. Agora é o próprio primeiro-ministro que reage

O primeiro-ministro, António Costa, classificou esta segunda-feira, em Paris, como "incidente burocrático" o facto de não ter discursado na sessão de abertura da Conferência da ONU sobre o clima, a COP 21.

"Acho que isso é um incidente burocrático que às vezes acontece nas transições de governo. Não valorizo nada", reagiu o novo chefe de Governo quando questionado pelos jornalistas se responsabilizava o anterior governo por não ter podido manifestar a posição de Portugal na COP21.

O primeiro-ministro falou aos jornalistas ao final da tarde no Hôtel de Ville, onde foi recebido pela Presidente da Câmara de Paris, Anne Hidalgo, estando acompanhado do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, e do embaixador de Portugal em França, José Filipe Moraes Cabral.

Anne Hidalgo disse aos jornalistas portugueses que a eleição de António Costa foi "uma das melhores notícias" que recebeu "nas últimas semanas", salientando estar "com ele de todo o coração e com o povo português" e agradecendo o apoio dele "nos primeiros minutos" após os atentados de 13 de novembro.

António Costa foi, em seguida, prestar homenagem às vítimas dos ataques de há duas semanas, junto à sala de concertos Bataclan, na companhia de Hermano Sanches Ruivo, vereador dos assuntos europeus em Paris.

O primeiro-ministro esteve, esta segunda-feira de manhã, na sessão de abertura da COP 21, onde não discursou - ao contrário dos cerca de 150 chefes de Estado e de governo que tiveram direito a usar da palavra perante a assembleia de líderes mundiais.

Esta segunda-feira foi noticiado que António Costa não iria discursar na COP 21 porque o anterior governo não teria efetuado a necessária inscrição, uma situação reforçada pelas declarações do novo ministro do Ambiente, João Matos Fernandes.

"É um facto que o senhor primeiro-ministro António Costa não estava inscrito para falar, isso é factual", afirmou João Matos Fernandes à Lusa, no recinto da COP21, nos arredores de Paris.

Ao início da tarde, o ex-ministro do Ambiente Jorge Moreira da Silva disse à Lusa que o anterior governo assegurou a possibilidade de o novo primeiro-ministro António Costa discursar na conferência das Nações Unidas sobre clima, em Paris.

"Conseguimos assegurar [junto das Nações Unidas] o essencial: o novo primeiro-ministro, caso fosse essa a sua intenção, poderia inscrever-se para discursar" na sessão de abertura da conferência sobre clima (COP21), que decorre em Paris, diz Moreira da Silva, num esclarecimento enviado à agência Lusa.

Mais de 140 chefes de Estado e de Governo estão em Paris para participar na COP 21, que reúne representantes de 196 países para tentarem chegar a acordo no sentido da redução das emissões de gases com efeito de estufa, responsáveis pelas alterações climáticas.