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Anterior Governo desmente ter calado Costa na ONU

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ETIENNE LAURENT / EPA

“Não podíamos inscrever um fantasma.” Na fase de transição entre Passos e Costa, anterior Governo terá garantido junto da ONU que a inscrição na cimeira do clima podia ser feita pelo novo primeiro-ministro

O anterior Governo não formalizou a inscrição de Portugal na cimeira do clima por não estar ainda confirmado quem seria o primeiro-ministro em funções, mas, segundo fonte do anterior Executivo, "foi garantido junto da ONU que a inscrição poderia ser feita" mal o novo Governo tomasse posse.

"Deixámos tudo preparado", insiste a mesma fonte, "mas não podíamos inscrever um fantasma".

O ex-ministro do Ambiente Jorge Moreira da Silva (na foto) emitiu entretanto um comunicado onde confirma esta informação. "Conseguimos assegurar junto das Nações Unidas o essencial: o novo primeiro-ministro, caso fosse essa a sua intenção, poderia inscrever-se para discursar".

Moreira da Silva esclarece, aliás, que na transição de pasta "o novo ministro do Ambiente foi informado, na manhã de quinta-feira, mesmo antes da posse, que toda a preparação da COP21 (a conferência do clima) estava realizada".

E também na reunião de transição do ex-PM, Passos Coelho, para o seu sucessor, "foi comunicado o convite para discursar na abertura da conferência e a articulação necessária com o MNE e com o embaizador de Portugal em França", lê-se na mesma nota. Moreira da Silva garante que o anterior Governo "assegurou uma preparação impecável da participação de Portugal".

No Parlamento, a bancada do PSD pondera chamar António Costa para esclarecer o que se passou. "Não vamos deixar que nos culpem por uma coisa de que não somos responsáveis. Foi António Costa que não se inscreveu", afirmaram ao Expresso.

Fonte do gabinete do novo primeiro-ministro tem tese diferente. “Já era tarde para nos inscrevermos quando António Costa e o Governo tomaram posse. Esta conferência tem regras muito estritas e Portugal não está de facto inscrito porque não o fez em devido tempo. Ainda tentámos inscrever-nos, mas não conseguimos”, explicaram ao Expresso.