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CGTP pede ao PS para ter “a coragem de resistir aos lobbies e pressões”

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MIGUEL A. LOPES/LUSA

Várias centenas pessoas marcaram presença este sábado à tarde no Largo do Camões para reivindicar mudança de políticas para o país e uma melhoria das condições de vida e de trabalho dos portugueses, numa inicitiava da CGTP-IN

O secretário-geral da CGTP avisou este sábado que 2016 será um ano em que os sindicatos e os trabalhadores vão exigir respostas aos seus problemas, e pediu ao governo PS para ter a coragem de resistir aos 'lobbies' e às pressões.

"[2016] acima de tudo, será um ano onde a CGTP, os sindicatos e os trabalhadores irão exigir respostas aos seus problemas, porque há um conjunto de problemas muito vastos que não tem nada a ver com a consolidação orçamental ou o défice", afirmou Arménio Carlos, em declarações à agência Lusa, após uma concentração em Lisboa.

O secretário-geral da CGTP deixou ainda um pedido ao novo Governo socialista: "o PS e o seu Governo têm de ter coragem para romper com as políticas anteriores e, sobretudo, para resistir aos 'loobies' dos grupos económicos e financeiros e às pressões nacionais e internacionais, e dar suporte à tal mudança de política que assumiram, contra a austeridade, mas também pelo desenvolvimento do país que para nós é um elemento estruturante", sublinhou.

Várias centenas pessoas marcaram presença esta tarde no Largo do Camões, em Lisboa, para reivindicar uma mudança de políticas para o país e uma melhoria das condições de vida e de trabalho dos portugueses, numa iniciativa da CGTP-IN.

Arménio Carlos frisou que a concentração de hoje não é só uma questão de a CGTP continuar "atenta e vigilante", mas é igualmente uma forma de exigir respostas às suas reivindicações no quadro de um novo Governo que assumiu uma mudança de política, fruto da "importante vitória conseguida pelos trabalhadores e pelo povo", aludindo à demissão do Governo PSD/CDS-PP.

O dirigente sindical exigiu o cumprimento da Constituição Portuguesa em todas as suas componentes, assim como a revogação da legislação laboral e social "anti-trabalhadores e anti-população" que "subverteu e esvaziou" a própria Constituição.

"Na área do trabalho, na dinamização da contratação coletiva, na regulação da legislação laboral, no aumento dos salários e do salário mínimo nacional, bem como uma outra política fiscal que ponha a pagar quem mais ganha e, neste caso concreto, que reduza os impostos para os trabalhadores e para as suas famílias", salientou Arménio Carlos, acrescentando.

"Quando estamos a dizer que é necessário revogar a norma da caducidade, que põe em causa a contratação coletiva, que não atualiza os salários, estamos a falar de uma matéria que não tem a ver com o orçamento do Estado. Tem a ver com o desequilíbrio das relações de trabalho que entretanto se verificou depois da assinatura do denominado acordo para o crescimento, competitividade e emprego, subscrita pelas confederações patronais, pelo Governo, mas também pela UGT", lembrou Arménio Carlos.

O secretário-geral da CGTP afirmou que é preciso revogar essas matérias que "desequilibraram as relações de trabalho, reduziram os rendimentos e os direitos dos trabalhadores", apesar de haver quem esteja contra estas mudanças.

"E por muito que os grupos económicos e financeiros invoquem que não se pode mexer na legislação, tem de se mexer na legislação para que seja mais justa para quem trabalha, produz e cria riqueza, porque essa mexida na legislação e uma outra distribuição da riqueza é fundamental para criar mais emprego, dinamizar o emprego e pôr o país na senda do progresso e da justiça social", sustentou Arménio Carlos.

O secretário-geral da CGTP defende que as empresas públicas de transporte, nomeadamente as de Lisboa e do Porto - as quais o novo Governo anulou a semana passada as respetivas subconcessões - devem regressar à esfera do Estado.