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O dia das 12 declarações

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José Carlos Carvalho

Cavaco diz que não abdica dos seus poderes - incluindo o de demitir o Governo - e Costa garante uma governação moderada e duradoura (e sublinha que é à Assembleia da República que o Governo responde politicamente). A esquerda dita o princípio de um ciclo melhor, a direita explica que se fez História negativa (diz que quinta-feira foi o dia em que entrou em funções um Governo “rejeitado pelo povo”). Para Marcelo é tempo de parar de “brincar”, o Bloco viu um equívoco no início da declaração de Cavaco. O dia da tomada de posse do novo Governo contado em 12 declarações

Cavaco Silva: só um poder está diminuído

1.Não abdicando de nenhum dos poderes que a Constituição atribui ao Presidente da República – e recordo que desses poderes só o de dissolução parlamentar se encontra cerceado – e com a legitimidade própria que advém de ter sido eleito por sufrágio universal e direto dos Portugueses, tudo farei para que o país não se afaste da atual trajetória de crescimento económico e criação de emprego e preserve a credibilidade externa”

2. “[Os acordos à esquerda] são omissos quanto a alguns pontos essenciais à estabilidade política e à durabilidade do Governo, suscitando questões que, apesar dos esforços desenvolvidos, não foram totalmente dissipadas”

António Costa: promessa de um governo duradouro

3. “O Governo provém da Assembleia da República - e é perante a Assembleia que responde politicamente”

4. “Com a entrada em funções deste Governo, termina um momento político, certamente complexo e delicado, mas inteiramente normal numa democracia parlamentar. Através de um processo de diálogo político transparente e democrático, formou-se uma maioria estável que assegura, na perspetiva da legislatura, o suporte parlamentar duradouro a um Governo coerente”

5. “As nossas divergências políticas, naturais e até salutares em democracia, que são bem conhecidas, não me impedem de prestar aqui público reconhecimento à dedicação e esforço empenhados pelo primeiro-ministro cessante na sua ação governativa, num período tão crítico e de grandes dificuldades, em prol da sua convicção do interesse nacional”

Marcelo Rebelo de Sousa: chega de brincar

6. “A prioridade, para os portugueses, não é estar a discutir se a crise deve continuar ou não, se há dissolução ou não, se o Governo cai ou não. Não podemos brincar com coisas sérias

Luís Montenegro, PSD: rejeitados pelo povo

7. “É um dia em que (…) inicia funções um Governo e um primeiro-ministro que foram rejeitados pelo povo mas que foram viabilizados para o exercício dessas funções por um entendimento pluripartidário dos partidos que perderam as eleições”

João Oliveira, PCP: os conflitos de Cavaco

8. “Do ponto de vista institucional é preciso assegurar condições que não sejam de confronto e de conflito permanente entre as instituições, e isso resulta em boa parte da atitude do Presidente da República”

Catarina Martins, BE: o equívoco do Presidente

9. “O Presidente da República optou por fazer o país ter esse compasso de espera, mas o Governo que é agora indigitado é o Governo que vem não de uma crise política mas sim de uma legitimidade das eleições de dia 4 de outubro, que representa a nova maioria da Assembleia da República e um acordo para parar o empobrecimento em Portugal” em referência ao facto de Cavaco Silva ter dito o seguinte: “O Governo que hoje toma posse foi formado na sequência da crise política aberta pela rejeição do Programa do XX Governo Constitucional

José Matos Correia, PSD: seguir o exemplo

10. “O que é exigível deste Governo é que tenha a responsabilidade suficiente para dar continuidade a um caminho que retirou o país da crise e que tem todas as condições para levar o país onde ele merece estar”

Ana Paula Vitorino, ministra do Mar

11. “Sabemos exatamente o que temos de fazer melhorar a vida dos portugueses e promover o desenvolvimento económico”

Manuela Cunha, deputado dos Verdes

12. “O país tem agora uma normalidade institucional e vai poder começar a virar uma página naquilo que foram as políticas que levaram este país à pobreza e a uma degradação social, ambiental e económica”

  • Reações, elogios, críticas, avisos e presenças históricas: o dia em que a esquerda regressou ao poder

    Já há novo governo em Portugal. Na cerimónia de tomada de posse, Cavaco sublinhou que as dúvidas que levantou não foram “totalmente esclarecidas” e avisou que não abdica de nenhum dos seus poderes - incluindo o de demitir o Governo. António Costa disse que tem um Executivo que será “duradouro” e “para uma legislatura”. Estivemos em direto e agora passamos a diferido - de forma a que possa revisitar o dia em que o PS regressou ao poder, agora com o apoio (e a histórica presença na tomada de posse) dos partidos à sua esquerda

  • Quem são, o que pensam e o que disseram os 17 ministros de Costa

    António Costa não perdeu tempo: no mesmo dia em que foi indigitado primeiro-ministro por Cavaco Silva, o líder socialista enviou para Belém a lista de ministros e secretários de Estado. Há surpresas - a escolha de Francisca Van Dunem para a Justiça é uma das maiores -, a Educação terá um dos mais novos ministros de sempre, há regressos anunciados - Vieira da Silva, Ana Paula Vitorino, Augusto Santos Silva, entre outros - e estreias de nomes conhecidos - João Soares ou Azeredo Lopes. Há três ex-ministros de Sócrates, quatro mulheres e 17 ministérios. Este é o perfil - um a um - dos 17 ministros e do primeiro-ministro (e juntamos ainda três secretários de Estado)

  • Novo Governo. Os desafios que Costa vai enfrentar

    Elaborar o Orçamento de Estado para 2016, vender o Novo Banco, fazer nomeações para cargos públicos, recuperar a maioria do capital da TAP: estes são alguns dos desafios que a equipa de Costa tem pela frente. Veja a lista