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Ferreira Leite. “Aparentemente, o PR deu posse a contragosto”

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Alberto Frias

É “tempo de governar” e de parar com a “crispação”, diz Manuela Ferreira Leite no habitual espaço de comentário na TVI 24. Chegou a hora do PSD deixar de lado a política do “não te ajudo”. Agora tem de fazer “oposição responsável”

“Aparentemente o Presidente da República deu posse a contragosto”, referiu esta quinta-feira Manuela Ferreira Leite, na TVI24: “Já não há mais motivo para continuar nesta crispação. Houve o tempo de discussão partidária, agora é tempo de governar. (…) Aquilo que desejamos, para bem do país e de todos nós, é que o Governo governe bem e que a oposição oponha bem”.

Para a ex-ministra das Finanças de Durão Barroso, Cavaco Silva dificilmente demitirá o Governo socialista, apesar do PR ter feito questão de mencionar no discurso [de posse de Costa] que não abdicaria de nenhum dos poderes que a Constituição atribui ao Chefe de Estado.

Ferreira Leite desdramatiza o clima de tensão e lembra que o “tempo de coabitação” entre o PR e o chefe do novo Executivo vai ser “escasso”. Uma eventual demissão de Costa significaria “ficar em gestão”, algo que já o Presidente já rejeitou.

PSD com discurso de partido de protesto

Ferreira Leite criticou ainda a atitude “não te ajudo” do PSD e diz que esse tipo de discursos “não é nada uma conversa” da matriz social-democrata, mas sim de um partido de protesto.

“A ideia do não te dou a mão para nada nada, não é um conversa do PSD”; o PSD “não é um partido de protesto. Só pode ser justificada por algum ressentimento e ser resultado de sentimentos ainda muito frescos”, considerou Ferreira Leite: É “bom que o PSD torne a vir ao centro. A oposição responsável é uma boa oportunidade de mostrar que se tem um projeto politico para país”.

Ferreira Leite não conhece grande parte do elenco governativo. Mas considera que os ministros da Economia e das Finanças, Caldeira Cabral e Mário Centeno respetivamente, são “pessoas de um enorme crédito”. “O [titular] das Finanças é responsável, dou-lhe mais do que o benefício da dúvida. Vai precisar do apoio absolutamente incondicional do primeiro-ministro” para conseguir “levar a cabo a politica financeira e orçamental”.

“Pela primeira vez [em Portugal] o centro de grande discussão vai ser na Assembleia da República” e não no “Conselho de Ministros”, acrescentou Manuela Ferreira Leite.