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Bruxelas quer ouvir Centeno “rapidamente”

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OLIVIER HOSLET / EPA

Comissão Europeia diz que não há razão para suspeitar que Portugal não vai cumprir os seus compromissos, mas sublinha que também não há razão para passar um cheque em branco

Para Bruxelas não há razões para “duvidar” da capacidade do governo de António Costa para inverter o cenário de desequilíbrios macroeconómicos – como a dívida pública elevada e alta taxa de desemprego. A explicação é do comissário com a pasta dos Assuntos Económicos.

“Não vejo nenhuma razão para duvidarmos, à priori, mas também não há razão para passar um cheque em branco”, disse Pierre Moscovici, respondendo à questão sobre se temia o impacto da reversão de medidas de austeridade anunciadas por António Costa.

“Vamos entrar em contacto com o novo ministro das finanças o mais rapidamente possível para ver quais as suas intenções e as intenções do governo sobre a relações europeias e o respeito pelos compromissos europeus”, adiantou ainda Moscovici.

O comissário diz que “o primeiro-ministro António Costa já confirmou” qual a posição em relação à Europa, mas quer saber em “que condições as coisas serão feitas”.

Orçamento servirá para avaliar intenções

Bruxelas espera desde 15 de outubro por um esboço de Orçamento do Estado. Esta quinta-feira de tarde - e sabendo que o novo governo toma posse precisamente esta quinta – o vice-presidente da Comissão com a pasta do Euro voltou a insistir na entrega do documento.

“Acho que esta será a base a partir da qual que poderemos avaliar os planos do novo governo”, explicou Valdis Dombrovskis.

Portugal continua em situação de desequilíbrios macroeconómicos excessivos, mas será preciso esperar para perceber se o país vai ou não corrigi-los.

O mesmo se aplica ao procedimento por défice excessivo. Só na Primavera será possível determinar se Portugal vai ou não sair do procedimento. E para tomar essa decisão, Dombrovkis já fez saber que é importante conhecer o Orçamento português.

O vice-presidente da Comissão lembrou ainda o compromisso do PS com as metas orçamentais e com o objetivo de colocar o défice abaixo dos 3% do PIB: “Houve declarações de responsáveis do novo Governo no sentido de que Portugal tenciona cumprir as metas orçamentais, incluindo corrigir o défice excessivo”.

  • Comissão Europeia preocupada com os elevados níveis de dívida externa (pública e privada), assim como a alta taxa de desemprego e a frágil posição de investimento internacional líquido