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Política

É preciso compatibilizar inovação e segurança, diz Cavaco

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ANT\303\223NIO COTRIM / LUSA

Numa intervenção na abertura do 25.º congresso da APDC, o chefe do Estado afirmou que numa “fase crítica de evolução” da Europa, “onde os riscos se acumulam e a incerteza cresce”, é importante compatibilizar a inovação com a segurança e os direitos fundamentais

O Presidente da República alertou esta quarta-feira para a necessidade de compatibilizar a inovação com a segurança e os direitos fundamentais, tendo presentes as oportunidades e ameaças que podem trazer à liberdade.

"Torna-se essencial compatibilizar a inovação com a segurança e os direitos fundamentais, tendo presente as oportunidades - mas também as ameaças - que a nova fronteira tecnológica pode trazer às liberdades dos cidadãos", afirmou Cavaco Silva numa intervenção na abertura do 25.º congresso da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC), que decorre no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Falando de uma "fase crítica de evolução" da Europa, "onde os riscos se acumulam e a incerteza cresce", Cavaco defendeu a existência de políticas que interpretem o novo modelo tecnológico e económico e que gerem confiança nos cidadãos. "Sabemos que a mudança nas instituições é muito mais lenta e complexa do que as mudanças verificadas na ciência, na técnica ou na própria economia", disse.

Por isso, acrescentou, exige-se "especial sensibilidade" por parte dos poderes públicos para os desafios inerentes ao impacto das tecnologias na economia e na sociedade e é fundamental criar condições para que os poderes de regulação sejam eficazes e saibam assegurar a "compatibilização entre a modernização do sistema produtivo, a estabilização do sistema financeiro e o reforço da coesão social".

"Em todos estes desafios, a compreensão do papel e do potencial das TIC [Tecnologias de Informação e Comunicação] por parte dos poderes públicos será crucial para encontramos novas soluções para ultrapassar as fragilidades que se apresentam bem visíveis na Europa", sublinhou.

Lembrando que as novas tecnologias já fazem parte do quotidiano de todas as atividades sociais e económicas e que os seus benefícios mais evidentes já foram constatados, o Presidente da República insistiu na necessidade de se ponderar "alguns atropelos e abusos na sua utilização", considerando que "o que começou por gerar transparência e aproximação pode nesta fase contribuir para "a opacidade, o secretismo e o afastamento".

"Há que refletir sobre até que ponto aquilo que, numa primeira fase, nos trouxe extraordinários benefícios - as comunicações móveis, a banda larga, as plataformas sociais - contribui para o desenvolvimento equitativo da sociedade e para a plenitude do desenvolvimento dos nossos filhos. Estarão os educadores preparados para as implicações da utilização das tecnologias nos processos de aprendizagem? Por cada vantagem apontada, quantas desvantagens poderão ser igualmente identificadas?", questionou.

Além disso, continuou, sendo o "mundo hiperconectado" uma realidade dos nossos dias, "uma abordagem séria à segurança digital, a outra face da inovação tecnológica, implica a consciência de que, multo mais do que um problema de natureza técnica, esta é também uma questão política e de regulação".