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Vitorino. “A coligação está com o problema de cálculo estratégico”

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José Ventura

No espaço de comentário que partilha com Santana Lopes na SIC Notícias, António Vitorino disse que tem dificuldade em acreditar que o futuro Presidente dissolva logo o Parlamento e que as diferenças entre socialistas e a esquerda se façam notar imediatamente

“Está tudo ainda com os nervos à flor da pele. E cedo para perceber como este tremor de terra vai estabilizar”, considerou António Vitorino, esta terça-feira, no habitual espaço de comentário que partilha com Pedro Santana Lopes na SIC Notícias. E acrescentou que o PSD está à espera de eleições antecipadas, mas lembrou que os cálculos podem sair furados.

“Acho que o problema da coligação está com o problema cálculo estratégico. Manter a temperatura tão elevada só podem estar à espera de eleições antecipadas. No entanto, acho que um novo Presidente não dissolverá o Parlamento tão depressa nem as fragilidades do PS com a esquerda se farão notar tão brevemente. Por isso, acho que estão a fazer mal os cálculos estratégicos e poderão ter que adotar uma estratégica mais racional”, disse Vitorino.

Já Santana Lopes referiu que o Governo da direita é um capitulo encerrado e que agora começa “um novo filme em outra sala de cinema”. “Acabou. Vamos começar um filme novo. Acho que o PSD e o CDS na campanha fizeram tudo bem e o PS fez tudo mal. Depois das eleições foi o contrário. Costa fez tudo bem, do seu ponto de vista, e construiu aquela teia de poder”, referiu o antigo primeiro-ministro.

Sobre a declaração de Cavaco Silva, em que António Costa foi “indicado” ( e não “indigitado”, como é habitual) como primeiro ministro, Santana admite ser uma troca de palavras “estranha”. “Não quero ser intriguista, mas de facto aquele indicar é estranho. Será que é um manifestação de um certo agastamento? Se for, acho que não fica bem. Juridicamente não tem qualquer consequência. Cavaco Silva nunca se engana nestas coisas, mas poderá ter sido só um desabafo, que não lhe fica bem”, comentou.

Vitorino acrescentou ainda que o comunicado foi uma forma do Presidente da República “tomar uma certa distância da solução governativa que não é do seu agrado”. “[Cavaco Silva] Passa a responsabilidade para António Costa”, acrescentou Santana.

Vitorino considerou que os nomes apresentados por António Costa formam “um Governo equilibrado entre continuidade e novidade” e sublinha que “a questão não esta na sua constituição, mas em como conciliar com a esquerda”.

Opinião semelhante tem Santana Lopes, que disse que a constituição do novo Governo foi uma “surpresa positiva”: “é uma equipa de gente capaz e positiva, mas agora é que vem aí a realidade”.