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Política

Pedro Nuno Santos com um lugar-chave na interface das esquerdas

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O futuro secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, que esteve presente nas rondas negociais com PCP e Bloco, ocupará um lugar-chave na interface das esquerdas

Luís Barra

Pedro Nuno Santos, um dos elementos que acompanhou António Costa nas rondas negociais com PCP e BE, continuará bem perto do futuro primeiro-ministro e, também, do diálogo permanente que o Governo do PS terá de manter com os partidos de esquerda.

Futuro secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro para Assuntos Parlamentares, Pedro Nuno Santos, de 38 anos, cabeça de lista do PS nas últimas eleições pelo círculo de Aveiro, terá assim um lugar-chave na interface permanente das esquerdas, que será o Parlamento. Lá terá de garantir a negociação dos principais dossiês com os partidos que viabilizam o Executivo de António Costa.

Pedro Nuno Santos, economista, antigo líder da JS, é um dos rostos mais destacados na nova geração de dirigentes do PS e um dos mais visíveis da sua ala esquerda. Tem, de resto, um bom relacionamento com jovens académicos e políticos de outras sensibilidades de esquerda, com os quais partilha assento no blogue "Ladrões de Bicicletas".

Nos tempos que se avizinham serão precisos muitos equilíbrios e compromissos, e será função de Pedro Nuno Santos "puxar" o mais possível Bloco e PCP para o centro.

E nas previsíveis dores de cabeça que o esperam não faltará quem, em jeito de graça, lhe possa lembrar as suas glosadas palavras em 2011, quando ameaçou credores: "Temos uma bomba atómica que podemos usar na cara dos alemães e franceses. Essa bomba atómica é simplesmente não pagarmos", disse o então vice-presidente da bancada do PS. "Ou os senhores se põem finos ou nós não pagamos", acrescentou, num inflamado discurso junto das bases socialistas.

Agora, para Pedro Nuno Santos, o tempo será de conversa de bastidores e de realpolitik. À esquerda, mas realpolitik.