Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Ministro da Saúde: Adalberto Campos Fernandes, o médico que contestou o “caminho mais fácil”

  • 333

Gestor hospitalar foi escolhido por António Costa para coordenar a área da prestação de cuidados médicos no programa de Governo socialista e cabe-lhe agora pôr as ideias em prática

Marcos Borga

Os socialistas voltam a entregar a pasta da Saúde a um médico. Depois de Ana Jorge, pediatra, é agora a vez de Adalberto Campos Fernandes, especialista em saúde pública. Esteve ao lado de António José Seguro e foi escolhido por António Costa para coordenar a área da Saúde no programa de Governo. Chega a ministro com 57 anos e poucos dias depois de obter o doutoramento. Defendeu a tese de que "a combinação público-privado" tem "ganhos de eficiência, mas não necessariamente melhoria da saúde".

A convicção, demonstrada, de que os prestadores privados não tratam melhor será agora levada da faculdade para o Ministério da Saúde. O professor de administração hospitalar, gestão em saúde e políticas de saúde na Escola Nacional (SNS) de Saúde Pública assume-se como um defensor do Serviço Nacional de Saúde e, sobretudo, das pessoas. Será para elas, materializadas nos utentes dos cuidados públicos, que deverá avançar com a melhoria do acesso ao médico, seja no centro de saúde ou no hospital. Chama-lhe 'Simplex da Saúde' e será transversal ao SNS: desde o primeiro contacto, que deverá ser telefónico, até aos exames e partilha de dados clínicos.

Atualmente presidente da Comissão Executiva do SAMS (Serviço de Assistência Médico-social dos Trabalhadores da Banca), o gestor hospitalar protagonizou o 'caso dos cegos do Santa Maria'. Então presidente do hospital, integrado no Centro Hospitalar Lisboa de Norte juntamente com o Pulido Valente, avançou para a solução arbitral para que os doentes pudessem ser indemnizados logo que possível, evitando a longa espera do processo em tribunal.

Esteve também na administração do Hospital de Cascais, é membro da direção do Colégio da Competência de Gestão dos Serviços de Saúde da Ordem dos Médicos e de várias associações para o desenvolvimento do setor. Participante assíduo em eventos sobre o sistema de Saúde, é um gestor com conhecido sentido de humor e crítico dos 'estados de alma'. Sobre o Governo que agora sai, afirma que seguiu pelo "caminho mais fácil": mandou cortar, sem nada reformar.