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Cavaco “indicou” em vez de “indigitar” Costa. “É um erro bem calculado”, diz Louçã

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Antonio Pedro Ferreira

“Presidente da República indicou secretário-geral do PS para primeiro-ministro”, titula a nota publicada esta terça-feira no site da Presidência. O verbo “indigitar”, o habitual nesta situações, é substituído pelo “indicar”. O antigo líder do Bloco refere que a troca de palavras “não tem relevância jurídica”, mas que “terá alguma simbologia política”. Já Santana Lopes considera que António Costa juntou uma “boa equipa”, mais “europeísta do que de esquerda”

Na comunicação em que Cavaco Silva anunciava o nome de António Costa para primeiro-ministro, houve uma palavra a criar alguma surpresa. Em vez do habitual “indigitou” surgia “indicou”. Na opinião de Francisco Louçã, essa troca de palavras foi “um erro bem calculado” que “terá alguma pequena simbologia política”, mas “sem relevância jurídica” e que apenas “interessará ao Presidente da República”.

“O que diz no comunicado é que quem [Cavaco] ouviu não concordava com o governo de gestão. Todo este comunicado é sinal de fragilidade”, referiu Louça em comentário na SIC, esta terça-feira, à formação do novo Governo. “Já era estranho exigir a Costa coisas que não exigiu a Passos”, acrescentou.

Já Pedro Santana Lopes considera que António Costa conseguiu juntar “uma boa equipa” com uma tendência “mais europeísta do que de esquerda”. E sublinhou: “Costa confirmou que tinha a equipa pronta - e se também tiver o programa”, resolve-se rápido.

Opinião semelhante partilha Louçã, que refere que a lista de nomes apresentada pelo primeiro-ministro indigitado “é próximo da ortodoxia europeia, mas com poucas pontes à esquerda”. “Vê-se mais um Governo para falar ao centro”, referiu.

Sobre os eleitos de Costa, tanto Santana como Louça admitem que há “supressas, confirmações e grandes figuras do Partido Socialista”. “Acho que é escolhida pela discrição e como fator tranquilizador”, considerou Francisco Louçã sobre Francisca Van Dunem, que vai assumir o cargo da Justiça.