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PS já respondeu às seis condições de Cavaco, mas não divulga carta

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António Cotrim / Luso

Presidente da República fez exigências e António Costa já respondeu. A carta socialista - enviada em CC para Bloco, PCP e Verdes - foi escrita durante toda a tarde desta segunda-feira e enviada para Belém ao final do dia. PS não revela conteúdo da missiva

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Subdiretor da SIC

António Costa esteve toda a tarde no Largo do Rato e "foi ele que redigiu a carta", garante fonte socialista. Mas na sede do PS, como mostraram as imagens das TV, também se encontrava Mário Centeno, o nome que é dado como futuro ministro das Finanças de um governo socialista e que apoiou o líder na argumentação escrita que foi enviada por carta para Belém.

Ao que o Expresso apurou, pelo gabinete de Costa também passou João Galamba, secretário nacional do PS, entre outros dirigentes. E enquanto redigia o documento, Costa falou com "várias pessoas ao telefone". O Expresso sabe ainda que a carta de António Costa para Belém foi enviada com conhecimento para o Bloco de Esquerda, PCP e os Verdes.

Uma das questões levantadas pelo Presidente da República passa pelo Orçamento do Estado de 2016, que ainda esta segunda-feira, ao "Diário de Notícias", Centeno garantia fechar "no mais curto espaço de tempo possível".

A resposta socialista às "preocupações" do Presidente - que o partido não dá a conhecer - seguiu para Belém quase oito horas depois do encontro desta segunda-feira de manhã entre Cavaco Silva e António Costa. Uma reunião de 34 minutos que terminou com a divulgação das garantias pedidas pelo Presidente ao líder socialista.

Cavaco Silva pediu “a clarificação formal de questões que, estando omissas nos documentos, distintos e assimétricos, subscritos entre o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português e o Partido Ecologista “Os Verdes”, suscitam dúvidas quanto à estabilidade e à durabilidade de um governo minoritário do Partido Socialista, no horizonte temporal da legislatura”.

Além dos orçamentos, em especial o de 2016, as dúvidas do Presidente prendem-se com a aprovação de moções de confiança, com o cumprimento das regras de disciplina orçamental, com o respeito pelos compromissos internacionais de Portugal, com o papel da concertação social e com a estabilidade do sistema financeiro.

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    António Costa não terá dificuldade em responder às questões do Presidente da República. Bastar-lhe-á repetir tudo o que tem vindo a dizer: o programa do PS garante e respeita os compromissos internacionais. Quanto ao Orçamento do Estado, dificilmente se pode acreditar que BE e PCP não aprovem um documento que traz a tão esperada devolução de rendimentos. O Presidente cumpre um ritual, a decisão já está tomada na sua cabeça, mas hoje quis passar a bola para António Costa. Agora é o líder do PS que se compromete (com papel assinado) e Cavaco pode mais tarde lembrar que colocou todas as dúvidas. A análise do editor de política do Expresso na emissão da SIC Notícias