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João Salgueiro defende que solução à esquerda é mal menor

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Mário Cruz / Lusa

Entre um governo de gestão ou a liderança da coligação à esquerda, João Salgueiro prefere a aliança que garanta uma maioria parlamentar. Mesmo tática e precária

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Qualquer que seja a solução governativa imediata do país, João Salgueiro não tem ilusões que “será sempre precária”. Mas entre dois males, o economista, membro do Conselho Económico e Social, auscultado por Cavaco Silva na última quinta-feira, defende o que cause menos danos, o que não deixará de ser “muito negativo para o país”.

Em entrevista ao “Diário Económico”, publicada esta segunda-feira, João Salgueiros titula de convergência tática o acordo à esquerda, não vendo a médio prazo que convergência estratégica possa existir o PCP e o PS. Mas apesar das fragilidades da alternativa de esquerda, João Salgueiro defende não ser viável um Governo de gestão com a maioria do parlamento contra.

“É viável manter-se mas não é viável ter sucesso e resolver problemas”, afirma o economista, razão porque prefere a frágil solução PS, PCP, BE. Questionado sobre qual a solução que resta ao Presidente da República, o ex-responsável do Banco de Fomento, BNU e Caixa Geral de Depósitos responde que qualquer das duas não é boa, lembrando que Cavaco Silva foi eleito para ter critério próprio, embora limitado nas suas opções.

“Não pode escolher um governo contra o que resultou das eleições. Não pode. Mas o que é que resultou das eleições?”, interroga-se, respondendo com outra interrogação: “O que é a maioria de esquerda? Não faço ideia. Os dois partidos (além do PS) que fazem parte da dita maioria são convergentes num ponto, tático, de mudança de governo”.

Numa entrevista com muitas incertezas, João Salgueiro atribui a perturbação do momento à forma como Portugal tem vivido nos últimos 20 anos, ou seja, “em estado de negação”. “Nós continuamos a defender o passado mais do que querer criar um futuro diferente”, advoga

A seu tempo, João Salgueiro é favorável à proposta do PSD de rever a Constituição, algo que agora tem o inconveniente de parecer oportunista. O economista elege, além da justiça, a burocracia como um dos piores obstáculos do país, colocando a competitividade como o maior desafio de Portugal. “Estamos a perder posições...e ainda se discute se Portugal deve sair do euro. Já houve a experiência do Syriza que fez um referendo para sair e ficou”, diz, lembrando, a título de exemplo que “uma parte do PS” assinou um manifesto a saída do euro.

Sobre quais os desafios que podem causar instabilidade interna, o economista aponta uma possível turbulência na UE com o referendo no Reino Unido, ou em Espanha, o nosso maior mercado. “Estamos à pele. Dizemos que conseguimos equilibrar o Orçamento, mas não há nenhuma reserva para imprevistos”, avisa.