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Críticos de Costa criam movimento

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José Sena Goulão / Lusa

Por agora é apenas um “manifesto assumido de centro esquerda”, contra a “radicalização do PS”. Assis não faz parte do núcleo promotor

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Um grupo de socialistas (militantes e simpatizantes) que discorda da estratégia da atual direção do PS quer avançar com a criação de um “movimento assumido de centro-esquerda” no partido, que assumirá a forma de manifesto, a apresentar em breve. O núcleo de promotores é composto por Álvaro Beleza, António Galamba, Eurico Brilhante Dias, Luís Bernardo e Óscar Gaspar, entre outros ex-colaboradores diretos de António José Seguro que negam, no entanto, estar a levar para a frente esta iniciativa em nome “de um qualquer ismo”. Para já, pelo menos, a lista de subscritores não compreende Francisco Assis.

No esboço do documento, a que o Expresso teve acesso, estes socialistas receiam que António Costa, “como líder de uma maioria negativa que, perdendo, quer constituir-se como governo de minoria absoluta”, esteja a levar o PS pelo caminho de uma “radicalização” que eventualmente acabará por destruir o partido. Assumem-se defensores da “verdadeira identidade do PS”, mas também “contra esta direita que é a mais neoliberal da nossa história”. Exigem “uma clarificação sobre o que o partido quer representar, seja no governo ou na oposição: um partido de futuro, reformista, charneira da sociedade portuguesa ou uma espécie de projeto político tutelado por BE e PCP?”

Lamentam que o discurso do PS “praticamente não se distinga da extrema-esquerda”, que tenha “cedido em toda a linha” no programa económico com que se apresentou a eleições, que se tenha deixado “descaracterizar na ambição e capacidade de modernização do país. numa cedência à agenda populista e retrógrada de tudo prometer pondo em causa toda e qualquer reforma”. Classificam o compromisso assinado com BE, PCP e PEV de “não chegar a ser acordo nenhum” e de, por esta via, se colocar “o futuro do partido completamente nas mãos de uma esquerda radical que se recusa a alterar as suas posições de fundo nas questões essenciais”. “O que temos assistido não é a uma mudança nas posições extremadas de BE e PCP mas a uma submissão e radicalização do PS que poderá vir a ter consequências terríveis para o partido”. O último episódio, criticam, “é o PS sentir-se encurralado pela mera comemoração dos 40 anos do 25 de novembro, deixando-se colar pela primeira vez na sua história à extrema-esquerda na Assembleia da República”.