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25 de Novembro. Carlos César fala em “jogatana política”, Magalhães devolve a acusação

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José Carlos Carvalho

A esquerda não esteve presente na reunião do grupo de trabalho parlamentar sobre as comemorações do 40.º aniversário do 25 de Novembro. Presidente do PS critica a agenda

Na abertura da sessão plenária no Parlamento, esta tarde, o líder parlamentar e presidente do PS Carlos César mostrou-se insatisfeito quanto à agenda da comemoração do 40º aniversário do 25 de Novembro de 1975 e fala numa “jogatana política”.

Em resposta, o líder parlamentar do CDS devolveu a acusação e criticou o facto do PS ter faltado à reunião do grupo de trabalho sobre o 25 de Novembro, que foi solicitada pelo PSD e CDS. A ausência da esquerda “envergonha o parlamento ”, acusou.

“Ocorre que no 25 de Novembro esta Assembleia está normalmente em trabalhos de Orçamento do Estado. Em segundo lugar, não é verdade que não tenha sido proposta uma data”, disse Nuno Magalhães

A este respeito, o líder parlamentar do CDS solicitou a intervenção de Ferro Rodrigues. “Aquilo que peço ao sr. presidente [da Assembleia da República] é que tome uma posição muito clara pelo facto de termos tido um líder do PS que adjetiva uma reação sua da conferência de líderes a proposta da contribuição do grupo de trabalho”, acrescentou.

Também o líder parlamentar do PSD criticou a posição do presidente do PS, depois de nenhum deputado socialista se ter feito representar numa reunião do grupo de trabalho sobre as comemorações do 25 de Novembro.

“Repúdio em absoluto as suas declarações por mais do que uma razão. (...) No debate parlamentar, sr. presidente, há muita emoção mas há também que respeitar as restantes bancadas”, declarou Luís Montenegro.

Comemorar a confirmação da democracia

Esta terça-feira, os líderes parlamentares do PSD e do CDS entregaram uma carta a Ferro Rodrigues a solicitar a comemoração dos 40 anos da data associada ao movimento militar que historicamente se associa ao fim do PREC (Processo Revolucionário em Curso).

“É da maior justiça e importância relembrar o dia, e os seus intervenientes, que confirmou a democracia, reforçou o pluralismo e evitou desvios totalitários em Portugal”, podia ler-se na carta.

O presidente da Assembleia da República decidiu então decretar na conferência de líderes desse dia a constituição de um grupo de trabalho, liderado pelo deputado Jorge Lacão (PSD), que deveria ter-se reunido esta quinta-feira pelas 14h.

Ninguém da esquerda compareceu à reunião

No encontro não apareceu, contudo, nenhum deputado dos partidos de esquerda. As conclusões deveriam ser apresentadas até sexta-feira a Ferro Rodrigues.

“A Assembleia da República não pode em seis dias preparar nada que não seja condigno”, defendeu esta tarde o presidente do parlamento.

Jorge Lacão confirmou hoje que nenhum deputado do PS, PCP, BE e PEV esteve presente na reunião. “Sem prejuízo de oficialmente dar a informação devida ao presidente, devo dizer que na reunião de trabalho compareceu o deputado Jorge Azevedo (PSD) e Nuno Magalhães (CDS)”.

No final, Ferro Rodrigues reiterou esta tarde que espera um relatório com as conclusões do encontro até esta sexta-feira. “Até amanhã espero que o deputado Jorge Lacão se encarregue deste tema”, concluiu.