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Maria de Belém: o Presidente já devia ter decidido

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José Carlos Carvalho

Candidata presidencial afirma que o país precisa “com urgência” de um Governo em plenitude de funções e exorta Cavaco Silva a tomar uma decisão - “seja ela qual for” - “com o caráter de celeridade a que a defesa do interesse nacional aconselha”

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Se fosse ela a Presidente da República não teria dúvidas: daria posse a um Governo do PS, liderado por António Costa. "Quando exista uma maioria absoluta de apoio parlamentar a um governo cabe ao Presidente aferir da sua sustentação constitucional e proceder à sua consequente designação, sem mais delongas", disse Maria de Belém, esta quarta-feira de manhã, numa declaração política. "Eu daria posse a António Costa. Há um quadro parlamentar de sustentação desse Governo", explicitou.

A candidata não quis alongar-se sobre se está confiante que os acordos do PS com os partidos à sua esquerda lhe permitam governar durante toda a legislatura. Remeteu para as conversas que o Presidente manterá com esses partidos no âmbito das consultas para a formação de novo Governo: "O PR tem de se articular com os partidos e, se tiver dúvidas, aprofundar o conteúdo desses acordos". Para sublinhar: "É bom que haja garantias dos partidos de que têm vontade que haja estabilidade política".

Mas, para já, "o importante é que haja uma desisão - tem de haver uma decisão". "É inadequado estar em suspenso", disse ainda, lembrando que há compromissos com a UE e que estamos ainda sob vigilância dos credores. "Se eu fosse presidente daria a este processo uma prioridade temporal muito grande".

O que não a impediria, revelou, de convocar o Conselho de Estado - "justifica-se por vários motivos". Questionada sobre se Marcelo Rebelo de Sousa, sendo simultaneamente candidato e conselheiro de Estado, deveria participar nessa reunião - caso Cavaco a convocasse -, Belém limitou-se a dizer o que ela faria se estivesse no seu lugar: "Se não tivesse renunciado ao cargo, não iria à reunião".

Na conversa com os jornalistas, que chamou propositadamente para esta declaração política, Maria de Belém considerou ainda que a revisão constitucional proposta na semana passada pelo primeiro-ministro é uma hipótese "sem qualquer viabilidade". Afirmando-se "muito confortável com a Constituição", lembrou que "não se podem mudar as regras do jogo no decurso do jogo".

A candidata revelou que tem intenção de "cumprir escrupulosamente as regras de financiamento da campanha" e que, por isso, não indo "utilizar as metodologias que são usadas para ter acesso a outros meios", a sua será uma campanha "com poucos meios", assente sobretudo "na disponibilidade da candidata e dos seus colaboradores", logo nos contatos com as pessoas. E garantiu estar disponível para debates e frente a frente com os demais candidatos.