Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

General Eanes: “Guerra à Síria por si não resolve nada”

  • 333

Alberto Frias

O ex-Presidente da República diz que problema só se resolve atacando nas origens e não nas consequências

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

O general Eanes afirmou esta terça-feira que compreende a decisão da França de declarar guerra ao auto-proclamado Estado Islâmico (Daesh) na sequência dos ataques terroristas de sexta-feira, mas considera que "por si só isso não vai resolver nada".

"Quando há um grande problema, este só se resolve atacando-o na sua origem e não nas suas consequências", disse, considerando que naquela zona há "várias guerras, cada uma com o seu propósito", e que a solução só pode ser política.

Para o general, não há possibilidade de responder à guerra sem haver uma concertação entre a Rússia, os Estados Unidos, a China e a Europa, "embora esta não conte porque não tem meios, nem politica externa".

Esta concertação poderia permitir acabar com os "financiamentos feitos por debaixo da mesa ao Estado Islâmico" e, por outro lado, "concertar a utilização de forças militares", segundo disse.

"Naquela érea não há uma guerra mas várias, cada uma com o seu proposito", afirmou: "a Turquia quer reduzir o poder dos curdos, os EUA querem que o Hezbollah se fixe naquela área para impedir que crie problemas a Isreal através do Líbano, o Irão quer manter a hegemonia sobre o Iraque (xiita) com uma relação privilegiada à Síria para manter a ligação com o Hezbollah e a Arábia Saudita pretende que haja um confronto entre sunitas e xiitas de maneira a que a supremacia territorial daquela área pelo irão não se torn um facto consumado".

Neste contexto, acrescentou, é muito difícil responder ao Estado Islâmico, "que acaba por ser um instrumento nas mãos destes poderes", segundo declarou.

Só um programa político resolve

Eanes considera "gravíssimo" o problema iraquiano, e que só se resolve com um "programa politico, em que xiitas, sunitas e curdos tenham o seu próprio estado, embora estejam confederados num só, sobretudo por causa da distribuição do petroleo.

Quanto à Síria, o problema só se resolve desde que as maiores potências entendam necessário um programa politico, que passa por Bashar al-assad, por um Alto-comissário das Nações Unidas e por um programa comum fiscalizado de toda aquela área, quer social quer económico, disse ainda Eanes, para quem o programa deveria culminar ao fim de alguns anos por eleições livres que permtam eleger um Parlamento, um Governo e um Presidente.

"Enquanto não se fizer isto, não há solução e a guerra vai continuar", declarou ainda.

Quanto ao facto da França ter pedido ajuda militar à União Europeia, o antigo Presidente considerou-o "natural", mas ressalvou: "a União é tão pouca que não vai concertar esforços na resposta e a resposta tem de ser militar e politica".