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Catarina Martins. O novo Governo “tem de sair a nova maioria existente na AR”

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Fernando Veludo/ Lusa

A porta-voz do Bloco de Esquerda considerou que é “irresponsável” manter a atual gestão. A bloquista frisou que a maioria de esquerda existente na AR “é espelho dessa legitimidade de quem votou”

A porta-voz do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, afirmou esta terça-feira, no Porto, que o novo governo "tem de sair da nova maioria existente na Assembleia da República" (AR), considerando irresponsável manter o atual em gestão.

"Eu não acredito que ninguém tenha em Portugal a irresponsabilidade de querer manter governos minoritários, de gestão, demitidos, seja em que formato for, que não consigam governar quando há uma maioria estável na AR, com um programa de governo para ser aprovado, com todo o trabalho feito para permitir a aprovação de Orçamentos do Estado", afirmou Catarina Martins aos jornalistas, à margem de um encontro com trabalhadores da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP).

A porta-voz do BE referiu que não pode acreditar que o Presidente da República decida manter o Governo em gestão "quando um país pode ter a estabilidade e um governo com condições de governabilidade".

"Alguém percebe que o senhor Presidente da República deixasse o país na mais completa instabilidade e sem sequer ter um Orçamento do Estado? Eu não posso acreditar que isso seja verdade", disse.

Para Catarina Martins, os portugueses "votaram em partidos que constituem uma nova maioria na AR e que tem solução de governo estável, credível e duradoura".

Questionada sobre o tempo que Cavaco Silva está a demorar a tomar a sua decisão quanto à nomeação de um novo primeiro-ministro, a porta-voz disse que o Presidente tem toda a legitimidade para ouvir quem quiser, contudo, "quem determina as condições de governo em Portugal, as estabilidades e as maiorias é o voto de cada um" dos eleitores, que nas eleições legislativas de 04 de outubro "criou uma nova maioria" de esquerda.

"Nem o nervosismo da direita nem o número de auscultações que o Presidente da República entenda fazer (...) retiram este facto democrático visível: há uma nova maioria na AR, ela é estável, ela é credível e é dessa maioria que tem de sair um novo governo para o país", sublinhou.

"Os banqueiros não foram a votos", disse, referindo-se ao encontro já agendado para quarta-feira dos presidentes dos principais bancos com Cavaco Silva, acrescentando que "não há nenhum banqueiro, que no dia 4 de outubro só teve um voto" como cada um dos eleitores, "que valha mais do que as outras pessoas".

A bloquista frisou que a maioria de esquerda existente na AR "é espelho dessa legitimidade de quem votou".

"Acho que não há ninguém que não esteja de acordo que o PSD tem estado num nervosismo pouco compreensível em democracia. Já tivemos governos maioritários e minoritários, já tivemos governos de coligação e de um só partido, já tivemos governos com o apoio na AR mesmo sendo minoritários.

Todas as opções são normais na democracia, desde que seja claras, que respeitem a vontade popular, ou seja, o resultado que saiu das eleições e há neste momento em Portugal uma nova vontade popular, uma nova maioria em Portugal", disse.

O Presidente da República recordou na segunda-feira que enquanto primeiro-ministro esteve cinco meses em gestão e aconselhou a que se verifique o que aconteceu nos dois casos de crises políticas anteriores, em 1987 e 2011.

"Eu estive cinco meses em gestão, eu como primeiro-ministro de um Governo estive cinco meses em gestão", afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, em declarações aos jornalistas, na Ribeira Brava, na Madeira.