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Presidente do PPE. “Portugal não é a Grécia, mas resultado pode ser o mesmo”

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O presidente do PPE defende Passos e Portas num texto de opinião na edição desta segunda-feira do “Diário Económico”

GERARD JULIEN/ AFP/ GETTY IMAGES

O líderdo grupo parlamentar europeu onde se sentam PSD e CDS lança duras críticas à esquerda portuguesa, que apelida de “populista” e “radical”. “As reformas que tanto custou alcançar estão a um passo de ser destruídas”, avisa Manfred Weber

O presidente do Grupo do Partido Popular Europeu (PPE) no Parlamento Europeu, Manfred Weber, endurece o discurso para lançar farpas ao acordo da esquerda portuguesa: “Atirar pela janela a tradição democrática de Portugal impõe ao país um futuro que este não quer e não merece”, defende. Num artigo de opinião publicado na edição desta segunda-feira do “Diário Económico”, Weber diz que “as reformas que tanto custou [a Portugal] alcançar estão a um passo de ser destruídas”.

Começando por esclarecer que respeita “a democracia e a soberania de Portugal”, Weber sublinha que o grupo do PPE “combate diariamente as formas populistas e extremistas”. O primeiro adjetivo é para o PS, o segundo é para os partidos portugueses à sua esquerda: “O evidente vazio ideológico do PS” leva o partido a “trilhar um caminho populista, indiferente se este o leva refém da esquerda radical”, acusa o alemão.

Em defesa da coligação de direita, Weber sublinha que a aliança de Passos e Portas “ganhou as eleições mas foi impedida de governar por uma contranatura aliança de partidos pró-europeus com antieuropeus”, realçando acreditar que “o guinar à esquerda e o assalto ao poder” que acusa Costa de levar a cabo sejam resultado da vontade “do grande derrotado que quer ganhar à qualquer custo, por mais alto que este seja”.

“Atirar pela janela a tradição democrática de Portugal impõe ao país um futuro que este não quer”

Weber aproveita também para elogiar o caminho seguido por Portugal nos últimos quatro anos, afirmando que o país “recuperou a sua credibilidade, ao levar a cabo o enorme esforço de ajustamento económico com coragem, esperança e determinação”.

Para o presidente do grupo parlamentar europeu da coligação de direita, “a adoção de uma agenda de cariz radical deitará por terra todos os esforços realizados” por Portugal: “Atirar pela janela a tradição democrática de Portugal impõe ao país um futuro que este não quer e não merece”.

Depois de lançar farpas tanto aos partidos à esquerda do PS - “os extremistas advogam medidas radicais de ruptura e conflito” - como aos socialistas - “os populistas, vazios de ideologia (…), são mestres da demagogia e das meias-verdades e grandes peritos na venda de ilusões”, Weber remata: “Portugal não é a Grécia. E o PS não é o PASOK. Mas o resultado pode muito bem vir a ser o mesmo”.

No mês passado, o político alemão já se tinha declarado contrário ao acordo da esquerda portuguesa, afirmando numa sessão plenária do Parlamento Europeu estar “preocupado com Portugal” e com “as responsabilidades legislativas que os extremistas da esquerda possam ter”.