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Marques Mendes. “Se pudesse convocar eleições, acho que o Presidente devolvia a palavra ao povo”

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Luís Marques Mendes defende que Cavaco Silva está numa posição “muito difícil” e acredita que o Presidente “vai pedir esclarecimentos” aos três partidos, visto o acordo da esquerda ser “o máximo da instabilidade”. E acrescenta: “Este é Governo para um ano”

Luís Marques Mendes disse este domingo que o acordo assinado pelos partidos de esquerda “é o máximo da instabilidade”. “Se pudesse convocar eleições, acho que o Presidente da República devolvia a palavra ao povo", afirmou durante o seu habitual comentário na SIC.

“Houve, para toda a gente, uma grande surpresa pela negativa. Esperava-se mais deste acordo do ponto de vista da estabilidade. É muito pífio”, afirmou.

Entre as críticas de Marques Mendes ao acordo, está o facto de os líderes dos três partidos não irem para o Governo. “Não há nada que diga que os orçamentos estejam garantidos”, aponta em segundo lugar. “Não há uma palavra em como os partidos se comprometem com uma moção de confiança para garantir politicamente e simbolicamente apoio ao Governo. Nem sequer está dito que rejeitam moções de censura se vierem dos adversários – vão fazer reuniões bilaterais.”

Marques Mendes critica ainda o facto de não haver “nem uma palavra sobre o que é nuclear: o respeito do tratado orçamental europeu.”

“É uma coligação pela negativa. Serve para derrubar um Governo, mas não serve para dar condições de solidez.”

Marques Mendes faz ainda referência ao facto de o acordo ter sido assinado à porta fechada. “Parece que têm vergonha do que negociaram. Eles próprios não acreditam e desconfiam uns dos outros.”

“Parece que o acordo é uma certa provocação ao Presidente da República”, diz o comentador. “O Presidente tinha colocado um conjunto de questões e tinha pedido um mínimo de estabilidade. Este acordo é o máximo da instabilidade.”

O que fará Cavaco Silva?

Segundo Marques Mendes, o Presidente da República “está numa posição muito difícil”. Por enquanto, acrescenta, resta-lhe “optar entre dois males“: “um mal maior é ter um governo de gestão, que me parece a pior das situações; um mal menor é um governo de António Costa, pífio, preso por arames.”

O ex-líder do PSD diz ainda que a dúvida está em saber o que é que Cavaco Silva vai pedir. “Em função deste acordo, que fica aquém dos mínimos que se imaginava, o Presidente não pode dar posse assim sem mais. Acho que vai pedir esclarecimentos, acho que vai optar entre colocar questões ou ter garantias mínimas.”

Questionado sobre se este Governo de esquerda durará uma legislatura, Marques Mendes responde: “Só por milagre. Não há ninguém que acredite nisso, da direita à esquerda. Isso é ficção. Acho que este é Governo para um ano”.

“Tem todos os ingredientes para que, mais mês, menos mês, tenhamos eleições antecipadas”, diz o comentador.