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Costa lamenta “palavras incendiárias” de Passos e Maria Luís

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MÁRIO CRUZ/ Lusa

Em entrevista à RTP1, na noite desta segunda-feira, o líder socialista confessou-se chocado por ver o ministro das Finanças alemão a dar uma mensagem “mais tranquilizadora” sobre a situação política portuguesa do que o primeiro-ministro e a ministra das Finanças

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

António Costa confessa-se “chocado com a agressividade verbal que tem sido utilizada” pelos responsáveis da coligação de direita, acusando nomeadamente Pedro Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque de estarem a fomentar “um clima de crispação que não contribui nada para o que é necessário na sociedade portuguesa”. “Acho absolutamente lamentável que o primeiro-ministro e a ministra das Finanças se permitam fazer o discurso que têm feito”, afirmou, esta noite, em entrevista na RTP1. “Choca-me ver o ministro alemão das Finanças a dar uma mensagem mais tranquilizadora [do que eles]”, disse, classificando Passos e Maria Luís como “imprudentes”, quando tinham “dever de serenidade e sangue frio”.

As críticas de António Costa aos (ainda) governantes surgiram na sequência de uma pergunta sobre o que fará, se indigitado primeiro-ministro, em relação ao Novo Banco. Cauteloso, o secretário-geral do PS admitiu apenas que “é preciso tratar de evitar alienações precipitadas e devemos retirar do campo do combate político as questões do sistema financeiro”. Voltou ainda a criticar Carlos Costa (“cabe ao governador do Banco de Portugal dar pleno esclarecimento da situação, o que não fez até agora”).

Já sobre a TAP reafirmou acreditar que “é possível, com toda a serenidade, conseguir que o Estado mantenha 51% [do capital]" da transportadora. “Acho que é possível e razoável. E é do interesse de todos”.

“O PR é dono do seu calendário”

O líder do PS manifestou-se convicto que o Presidente da República não deixará de o indigitar primeiro-ministro. “Não há nenhuma razão para criar crises artificiais", afirmou, justificando que depois do PSD ter falhado a obtenção de uma maioria e de o PS ter conseguido uma solução maioritária no atual quadro parlamentar, indigitar o PS a formar governo é tão-só “dar sequência ao que é normal”.

Rejeitando a hipótese de Cavaco Silva manter o atual Governo em gestão - “é consensual que é a pior das soluções” -, recusou-se a comentar se o Presidente está ou não a demorar a tomar a decisão: “O Presidente da República é dono do seu calendário. Devemos respeitá-lo”. Mas mais à frente deu sinais de alguma pressa: “A pior coisa que pode acontecer é manter-se este clima de incerteza”. E reiterou: “Seria um erro muito grande para Portugal optar por uma solução de Governo de gestão, por eleições de seis em seis meses. Isso é que seria altamente penalizador. É essencial não desperdiçar o fator de estabilidade política”.

“Sabemos quais os limites para conseguirmos viabilizar os orçamentos”

António Costa admitiu que o programa de Governo que resultou das negociações com BE, PCP e PEV tem aspetos com os quais os seus parceiros não concordarão plenamente - “não estamos a falar de diluir ou disfarçar as diferenças programáticas existentes entre os quatro partidos" - mas desvalorizou esse facto: “o BE, o PCP e o PEV conhecem qual é a nossa estratégia orçamental e nós sabemos quais são os limites para conseguirmos viabilizar os orçamentos”.

Aos que acusam o programa de Governo do PS de assentar sobretudo no aumento do consumo, insistiu: “Assenta na criação de condições de investimento em simultâneo com o aumento do rendimento das famílias; é importante que seja feito em simultâneo - as empresas não investem mais se não virem melhores condições no mercado interno”. E garantiu: “Queremos cumprir o Tratado Orçamental, mas com razoabilidade. Cumprir a trajetória de consolidação das contas públicas assentando no crescimento da economia e não no prolongamento da austeridade”.