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Cavaco na Madeira em tempo de crise. Take 2

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Do programa da visita de Cavaco à Madeira, está incluído um encontro com o presidente regional, Miguel Albuquerque

Alberto Frias

Em 2013, a meio de uma crise, o Presidente da República foi afirmar a soberania portuguesa nas ilhas Selvagens. Mais de dois anos depois, Cavaco volta a escolher a Madeira para uma visita oficial num momento de incerteza política em Lisboa

Marta Caires

Jornalista

Depois de ouvir os parceiros sociais e ainda sem uma decisão tomada quanto ao futuro Governo, o Presidente da República mantém a agenda e vai esta segunda-feira de visita à Madeira.

É a segunda vez que Cavaco Silva o faz a meio de uma crise. A primeira foi em julho de 2013, após a demissão de Vítor Gaspar e do pedido de demissão irrevogável de Paulo Portas. Então, o chefe do Estado optou por afirmar a soberania portuguesa passando uma noite nas Ilhas Selvagens. Desta feita, faz a sétima visita do roteiro para uma economia dinâmica numa região autónoma onde, em setembro, havia mais de 20 mil desempregados.

O Presidente da República chega esta segunda-feira à tarde à Madeira numa deslocação que termina no dia seguinte e inclui visitas a várias empresas, além dos encontros institucionais na Assembleia Legislativa, com o representante da República e o presidente do Governo Regional.

Da lista das empresas a visitar por Cavaco Silva, estão algumas das que Passos Coelho viu em junho, quando esteve na Madeira. O Presidente irá passar pelo Centro Internacional de Negócios, por uma tecnológica da Ribeira Brava e uma empresa de congelados de peixe.

A visita começa a visita com a inauguração do Design Centre de Nini Andrade Silva, designer madeirense premiada. Ao programa do primeiro ministro, em junho, são acrescentadas visitas a um produtor de vinho da Madeira, ao projecto M-ITI, uma parceria da Universidade da Madeira e do Carnegie Melon Portugal, além de uma passagem pelo espaço onde irá nascer um novo hotel do Grupo Pestana, junto ao Porto do Funchal.

Todas as empresas e projetos por onde Cavaco Silva irá passar têm em comum ser de sucesso numa região que vive há anos em crise e cujo programa de resgate termina em dezembro.

Mais de 20 mil sem emprego

A economia madeirense depende essencialmente do turismo, que está a crescer. Em setembro, a taxa média de ocupação nos hotéis foi de 75,2%, enquanto o número de passageiros em trânsito contabilizados nos navios de cruzeiros entre janeiro e setembro deste ano foi de 351.270, mais 30% do que em 2014.

Apesar dos números – de haver uma maior taxa de ocupação nos hotéis, mais escalas de navios de cruzeiro e de um aumento do RevPAR (é de 48,55 euros) – a Madeira continua a ter um problema sério de desemprego, cujo número de inscritos no Instituto de Emprego em setembro era de 21.673 pessoas.

A taxa de desemprego no terceiro trimestre de 2015 na ilha estava em 14,7%, um pouco menos do que se registou em 2014, ano em que os números do desemprego fecharam em 15%. Segundo os dados disponíveis no Instituto de Emprego da Madeira, desde 2012 que o número de pessoas sem emprego na Madeira está acima dos 20 mil.

Mais animadores são os dados sobre a formação e dissolução de empresas. O saldo foi positivo no segundo trimestre de 2015, com mais empresas formadas do que as que foram extintas. A primeira vez que a tendência se inverte desde 2009.

A Madeira, que a partir de janeiro de 2016 terá de encontrar maneira de pagar a dívida, vive ainda as consequências do decréscimo no investimento público, principal motor da economia regional nos anos de Governo de Alberto João Jardim. Quase não há obras públicas, as empreitadas que têm sido adjudicadas estão quase todas incluídas no programa de reconstrução pós-temporal de 20 de fevereiro de 2010. As grandes obras públicas estão concluídas, embora continue por construir um novo hospital central.

Mais recentemente voltou a colocar-se a necessidade de ampliar o porto do Funchal. O que ganha importância numa altura em que o sector dos navios de cruzeiro está em expansão.