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As quatro mulheres que conquistaram “o mundo machista da política portuguesa”

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Catarina Martins e Mariana Mortágua, duas das caras mais conhecidas do Bloco de Esquerda

TIAGO PETINGA/Lusa

Os “ataques sexistas” sofridos pelas mulheres do Bloco de Esquerda nas últimas semanas são descritos pelo jornal britânico “The Guardian” como “chocantes”

Catarina Martins, Mariana Mortágua, Joana Mortágua e Marisa Matias. Estas são as quatro mulheres do Bloco de Esquerda que o jornal britânico “The Guardian” diz que conquistaram o “mundo machista da política portuguesa” recentemente, ao “confrontarem banqueiros e homens de negócios corruptos no parlamento e ao ganharem debates num país onde as mulheres normalmente não são incluídas na política”.

Apesar de explicar que o Bloco de Esquerda passou por tempos difíceis nos últimos anos, perdendo apoio popular e sendo criticado por ter então dois líderes (João Semedo e Catarina Martins), o jornal acrescenta que “o partido que é equivalente ao Syriza na Grécia” teve um grande crescimento nas últimas eleições, ganhando 10% dos votos.

O bom resultado foi fruto das estratégias de Catarina Martins, que começou por ser “hostilizada” por ser uma líder do sexo feminino. “Ela passou um mau bocado. As pessoas diziam que o João Semedo era o avô e a Catarina a pequena neta”, explica a eurodeputada Marisa Matias.

O sexismo é generalizado, acrescenta Joana Mortágua (a deputada que anda descontraidamente de ténis e de tshirt, diz o “The Guardian”): “Os nossos colegas dos outros partidos tratam-nos com condescendência. Dizem sempre 'as meninas bonitas do Bloco'”. O jornal britânico também faz referência ao machismo de alguns comentários, na televisão (referindo-se às palavras de Pedro Arroja, mas sem o nomear) e nas redes sociais, onde se pediu a Mariana Mortágua para que posasse nua na capa da revista “Playboy” e se deu uma conotação sexual ao lema de Marisa Matias para as presidenciais: “uma [mulher] por todos”.

O “The Guardian” também diz que a “figura” de Catarina Martins foi debatida pelos jornalistas, com alguns a sugerirem que a líder do Bloco estaria com um corte de cabelo mais jovem e roupas mais “femininas”. “Comecei a pintar o cabelo há vários anos, quando percebi que os cabelos brancos me davam um ar cansado. Quanto à minha roupa, tento assumir que não são assunto de debate”, diz a bloquista ironicamente. “Todos falam sobre isso em vez de falarem sobre o facto de já não existir um bloco central político em Portugal”. Como conclui o “The Guardian”: “os velhos hábitos demoram a morrer”.