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Política

Presidente do CES defende “solução ao centro”

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Rui Duarte Siva

Luís Filipe Pereira esteve reunido com Cavaco Silva esta tarde. À saída, considerou que há “um risco” de transferência das decisões para o Parlamento que esvaziem a Concertação Social

O presidente do Conselho Económico e Social (CES) defendeu esta sexta-feira que o país precisa de uma "solução ao centro" e considerou que há "um risco" de transferência das decisões para o Parlamento que esvaziem a Concertação Social.

"Há de facto um risco, a Concertação Social é um espaço de negociação. Uma negociação implica discussão, tentar chegar a algo que seja aceite por ambas as partes que, por definição, querem coisas diferentes. Se na Concertação Social há uma discussão em que uma das partes coloca uma matéria, seja ela qual for, mas sabe que se não for acordado ali há outro fórum que decide, nós estamos a esvaziar a Concertação Social", afirmou Luís Filipe Pereira aos jornalistas.

O presidente do CES falava à saída de uma audiência com o Presidente da República, recusando revelar que soluções políticas e institucionais defendeu junto de Cavaco Silva, embora tenha dito aos jornalistas que a sua opinião pessoal é pela preferência de uma "solução ao centro" do espectro político, que exclua BE e PCP.

"Acho que o país precisa de uma solução ao centro, uma solução que englobe partidos que sistematicamente 70% da população sempre validou de há 40 anos a esta parte", afirmou.

Segundo Luís Filipe Pereira, essa validação inclui opções como "pertencer à União Europeia, pertencer ao euro, respeito pelas regras" negociadas com a União Europeia.

Luís Filipe Pereira disse querer destrinçar entre a sua opinião e o que pode dizer ao Presidente da República enquanto presidente do Conselho Económico e Social.
"Tenho obrigação estrita de proporcionar formas possíveis de entendimento, mesmo em alturas de crise", disse.

Luís Filipe Pereira sublinhou a ideia de que "a concertação social é um valor em si, um valor da democracia portuguesa".

Confrontado com a ideia de uma revisão constitucional que possa antecipar prazos para a realização de novas eleições legislativa, que foi defendida na quinta-feira pelo primeiro-ministro e presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, o presidente do CES respondeu: "Numa democracia, todas as opções podem e devem ser encaradas".

O Presidente da República termina hoje dois dias de audiências com os parceiros sociais, com uma audiência com a UGT, marcada para as 18h.