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Marinho e Pinto. “A rua não vai ser um privilégio nem monopólio da esquerda”

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HUGO DELGADO/LUSA

O líder do Partido Democrático Republicano reuniu esta manhã a Comissão Politica para assumir que o país devia ir a votos, porque a solução de um Governo de esquerda “não foi sufragada pelo povo português”

Marinho e Pinto considera que a formação de um Governo PS com apoio do BE e do PCP "é formalmente correta, politicamente aceitável, mas eticamente é de recusar". O líder do Partido Democrático Republicano (PDR) argumenta que esta é "uma opção que não foi apresentada ao eleitorado" e que por isso devia ser sufragada.

"Muitos eleitores votaram PS, na convicção de que nunca se aliaria ao BE e ao PCP", afirma, seguindo a mesma lógica para os votantes do BE e do PCP em relação ao PS. O eurodeputado não tem dúvidas de que este caminho "é mais uma exigência da necessidade de poder da clientela do PS do que o interesse do povo e até do próprio PS como partido".

Marinho e Pinto revela ao Expresso que na reunião da Comissão Política do partido, realizada esta manhã, vincou a ideia de que "não é licito arranjar soluções parlamentares que não estiveram no debate eleitoral, nem sequer foram vislumbradas durante esse debate". Por isso, defende que o Presidente da República devia ter a possibilidade de "dissolver o Parlamento em qualquer altura, como acontece nos países onde a democracia está mais enraizada". Nessa altura, "os três partidos podiam formar uma coligação a ser sufragada e não pegar nos votos que cada um obteve e depois fazer uma coligação", porque, justifica, "o voto não é um cheque em branco aos partidos para fazerem o que quiserem".

Sobre o conteúdo do acordo que pode levar à formação de um Governo de esquerda, o eurodeputado começa por acentuar que "há três acordos" e que "chega a ser humilhante para o PS negociar um acordo com os Verdes, o petit clone do PCP". Considera que as medidas já conhecidas "vão ter custos económico-financeiros elevados para o país e para a saúde da democracia". E acrescenta: "Vai ter consequências graves para a democracia porque os modelos binários em política levam sempre à exaltação de soluções radicais".

"Aliança contranatura"

Por isso, Marinho considera que "a solução correta do ponto de vista da democracia, do estado de direito e da ideia de República, deveria levar os partidos, que não obtiveram individualmente a maioria, a optar por uma oposição responsável". "Era melhor para o país que o PS permanecesse na oposição, seria até uma oposição reforçada dado que o Governo tem apoio minoritário e impediria derivas direitistas e antidemocratas que se registaram na anterior legislatura", conclui.

Ainda a digerir os resultados das legislativas e a montar a sua estrutura administrativa, o PDR está também a preparar-se para as autárquicas, "se entretanto não ocorrerem outras eleições", ironiza o líder.

Marinho e Pinto não resiste em atacar António Costa, afirmando que "agarrou-se ao poder a todo o custo", que esta é uma aliança "contranatura e que radicaliza a sociedade portuguesa, porque o PS abdicou do seu papel de fiel da balança".

No entanto, o eurodeputado sublinha que Cavaco Silva não tem outra solução senão dar posse ao Governo a apresentar pelos socialistas, mas avisa que "a rua não vai ser um privilegio nem monopólio da esquerda", até porque "a direita já deu sinais de que a rua vai ser um palco de politica também".

Sobre a atuação do próximo PR, o ex-bastonário da Ordem dos Advogados recusa-se a fazer futurologia e conclui, com humor: "Em política até as caveiras podem pestanejar."