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Passos defende revisão constitucional para antecipar eleições

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Alberto Frias

É o contra-ataque de Passos Coelho. Avisa Cavaco que ainda “não existe uma solução de Governo duradoura,coesa e estável'' e desafia Costa a rever a Constituição para voltar a ouvir os eleitores. Pressão sobre o próximo PR?

Ângela Silva

Ângela Silva

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Alberto Frias

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“Se não querem governar como golpistas” devem aceitar uma revisão constitucional que permita antecipar as eleições. É o contra-ataque de Pedro Passos Coelho, que acusou António Costa de ter dito que não derubaria o atual Governo sem ter uma ''solução de Governo ''coesa, estável e duradoura'', quando afinal ''esse Governo não existe''. Caso Cavaco dê posse a Costa, o desafio das eleições antecipadas segue para o próximo Presidente.

"Em condições normais este Parlamento devia ser dissolvido para ser o povo a decidir", afirmou Passos Coelho, numa sessão com militantes do PSD e CDS-PP, esta quinta-feira à noite em Lisboa.

Num discurso duríssimo para o PS de António Costa - "o que estamos a viver não é normal", - Passos considerou "muito difícil algum dia o país aceitar o que se está a formar na Assembleia da República" e avisou: "Esta soma de derrotados tem a obrigação moral de encontrar uma solução de Governo para o país, mas essa solução ainda não existe".

Entusiasticamente aplaudido pela sala cheia, o líder do PSD e primeiro-ministro classificou o eventual Governo de António Costa com o apoio das esquerdas como "uma fraude eleitoral e um golpe". Foi quando se manifestou "inteiramente disponível para dar o meu apoio a uma revisão constitucional extraordinária para que o Parlamento possa ser dissolvido".

Recorde-se que a ideia de uma revisão constitucional extraordinária para eleições antecipadas havia sido recentemente apresentada por Álvaro Beleza, opositor de António Costa dentro do PS. De acordo com os prazos constitucionais, o Presidente não pode convocar eleições nos últimos seis meses do seu mandato.

Antecipando a recusa de Costa para rever agora a Lei Fundamental, Passos deixou outro aviso: ''Se preferirem Governar como quem assalta o poder, então não têm legitimidade para nos pedir seja o que fora. Têm que se bastar a si próprios".

Numa referência à vontade do PS de fazer retroceder reformas feitas pelo seu Governo, incluindo as consessões nos transportes, o PM deu o remate final: "Se assim for, isto é o maior porocesso de reversão da economia portuguesa, um autêntico reviralho".

Antes, Nuno Melo, presidente do CDS-PP, classificou o momento que se está a viver como "um processo de usurpação em curso".