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João Vieira Lopes: “Não simpatizamos muito com a ideia de um Governo de gestão”

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Marcos Borga

O presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal transmitiu esta manhã ao chefe de Estado as preocupações relativas ao sector, que passam pela existência de um Executivo em funções

À saída de uma reunião em Belém, o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) disse ter transmitido a Cavaco Silva a ideia de que deve haver um interlocutor no Governo para responder às necessidades da economia e que a concertação social tem que desempenhar um papel central na atual conjuntura.

“Na nossa posição dissémos que deve haver um Governo em funções, com suportes para funcionar e que não simpatizamos muito com a ideia de um Governo de gestão, mas isso compete ao senhor Presidente da República”, declarou João Vieira Lopes aos jornalistas.

Recusando alinhar-se à direita ou à esquerda, João Vieira Lopes insistiu que a decisão final sobre a formação de um novo Governo cabe ao Presidente da República. “Nós tradicionalmente não nos preocupamos em definir uma posição sobre os temas político-partidários. Em relação à situação compete ao Ppresidente da República”, sublinhou.

O líder da CCP referiu que teve oportunidade de revelar ao chefe de Estado as preocupações relativas à economia, aos aspetos fiscais e às empresas. “O que nos preocupa é haver um intelocutor que possa decidir, que a concertação social seja um elemento-chave neste conjunto de decisões, que envolve as empresas e toda a legislação laboral, para que não haja um aumento da carga fiscal sobre as empresas e que se possa criar ainda mais dificuldades. E obviamente que gostaríamos de ter alguma estabilidade”, explicou.

Em relação ao salário mínimo nacional (SMN), João Vieira Lopes disse também ter transmitido a posição da confederação a Cavaco Silva sobre o “âmbito em que deve ser definido” e os “pressupostos que deve ter”, sem adiantar mais nada.

Aguardam mais diálogo

João Vieira Lopes salientou ainda que a delegação da CCP teve oportunidade de expor as suas preocupações durante encontros com a coligação e com o Partido Socialista, mostrando-se disponível para continuar o diálogo com o próximo Executivo, independentemente de qual for a decisão de Cavaco Silva.

“Entre aquilo que está expresso nos documentos e a realidade há uma grande discrepância e, por isso, esperamos sentar-nos à mesa com quem vier”, avisou.

O Presidente da República iniciou esta quinta-feira uma ronda de negociações com os parceiros sociais, começando por receber o líder da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), António Saraiva, com vista à formação de um novo Governo. As reuniões deverão prosseguir até à próxima semana.