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Costa. “Temos condições para apresentar Governo imediatamente”

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Costa falou à “Visão” pela primeira vez depois da queda do Governo de direita

Marcos Borga

Em entrevista à revista “Visão”, o líder socialista assegura ter “confiança” no pacto alcançado com as forças à sua esquerda e relembra que um Governo de gestão seria “a pior das soluções para o país”. Quanto à direita, espera que o “ressabiamento nervoso” de quem perdeu a maioria passe rapidamente

No dia 4 de outubro, o eleitorado foi às urnas, a direita ganhou as eleições mas perdeu a maioria que detinha e a esquerda viu-se em maioria no Parlamento. A 10 de novembro, o Governo de Passos e Portas caiu, com uma moção de rejeição apresentada pelo PS e apoiada por PCP, Bloco de Esquerda, PAN e “Os Verdes” e uma promessa de aliança à esquerda. Agora, o líder dos socialistas é claro e garante ter “condições para responder imediatamente, quer com a apresentação do programa de Governo quer com o elenco governativo”.

É numa entrevista publicada na revista “Visão” desta quinta-feira que António Costa fala, pela primeira vez depois de ter derrubado o Governo da direita e já com o seu Executivo, apoiado por Bloco de Esquerda e PCP, em mente - até porque garante que “há um grande consenso nacional de que Governo de gestão seria a pior das soluções para o país”.

Sobre o acordo à esquerda, e embora o “grau de convergência” alcançado não tenha sido suficiente para que bloquistas e comunistas fossem incluídos numa equipa governativa, Costa diz encarar “com muita confiança os próximos quatro anos”. O líder socialista sublinha que os partidos de esquerda conseguiram, sem se “descaracterizarem”, chegar a um resultado que deixa todas as partes “confortáveis” - até porque nem os partidos de Esquerda podem pedir-lhe para “apresentar o Orçamento de 2018” nem Costa pode pedir de volta “um cheque em branco”. E deixa uma porta aberta: “O resultado [das negociações] não impede evoluções futuras que permitam consolidar e alargar o que construímos agora...”.

O otimismo de Costa sobre a aliança à esquerda parece firme: o líder socialista aproveita para relembrar que nos “países que o Presidente da República definiu, muito pedagogicamente, como exemplo para Portugal, como a Alemanha”, já muitos dias passaram antes de se chegar a uma solução governativa. Por isso, sublinha Costa, “ao fim de quatro semanas, envolvendo quatro partidos que há 40 anos não se sentavam à mesa, resolvemos a questão... é um excelente sinal”.

Sobre um futuro Executivo, Costa assegura que equipa de Governo do Partido Socialista pode estar pronta sem PCP e BE, mas acrescenta que não se lembra “nos tempos mais recente de um Governo do PS sem alguns independentes”.

Governo de gestão seria “pior das soluções para o país”

Quando o assunto é o parecer - e a decisão final - do Presidente da República sobre a situação política, Costa deixa um aviso: é que o Governo de gestão seria a “pior solução para o país”. “Relativamente à inquietações que o Presidente da República expressou publicamente, creio que o programa aprovado na Comissão Nacional do PS as satisfaz”, sublinha, para depois se referir ao resultado “expressivo” das reuniões das comissões socialistas, que decorreram no passado fim de semana, como uma “derrota total de quem procurou dividir o partido procurando captar parte do PS para recompor a maioria que a direita tinha perdido nas eleições”.

Fica por apurar a quem se refere Costa, mas o líder socialista aproveita para deixar um recado à direita: “Não me passa pela cabeça que este ressabiamento nervoso que a direita apresenta neste momento não lhe passe ao fim de uns meses e que não passe a ter uma postura responsável”.

“Até Schauble está tranquilo”

Falando do acordo à esquerda, um dos temas inevitáveis é a posição quanto aos compromissos europeus de um Governo socialista. Costa, com humor, começa por garantir que até o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, “está tranquilo”, para depois assegurar que “reações que temos tido da Comissão Europeia são de absoluta normalidade” quanto ao acordo da esquerda.

A alteração de forças no panorama político é histórica e prova que “ao contrário do que se dizia, um governo do PS e um governo da direita não são a mesma coisa”. Quanto a imprevistos que possam comprometer a estabilidade anunciada? “Alterações externas podem acontecer... é um dado da vida!”.