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Cavaco Silva e CIP já se reuniram. “Gastar o que não temos? Não sei como se faz”

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JOSÉ SENA GOULÃO / Lusa

António Saraiva chefiou a delegação da Confederação Empresarial de Portugal, na primeira reunião da ronda de audiências prevista entre Cavaco Silva e os parceiros sociais, com vista à formação de um novo Governo

A Confederação Empresarial de Portugal (CIP) expressou esta manhã preocupações relativas a várias matérias “fiscais, laborais e sociais” contempladas no acordo da esquerda, durante a audiência com o Presidente da República.

Inserida na ronda de reuniões que o chefe de Estado vai manter com os parceiros sociais, a reunião serviu para que a CIP, pela voz do presidente e chefe da delegação, António Saraiva, pudesse expressar desagrado com as medidas propostas por um possível Governo de iniciativa PS.

À saida da audiência, António Saraiva falou aos jornalistas sobre os “textos de posição comum” assinados por PS, Bloco de Esquerda, PCP e “Os Verdes” esta terça-feira, o mesmo dia em que o Governo de direita foi derrubado por uma moção de rejeição apresentada pelos socialistas. De acordo com Saraiva, nos acordos está patente uma “tentativa de esvaziar o papel da concertação social para o entregar aos partidos”.

Garantindo estar preocupado com a “estabilidade e manutenção da competividade” económica portuguesa, o líder da delegação da CIP foi duro nas críticas à esquerda: “Gastarmos o que não temos? Não sei como se faz”, disse. Para Saraiva, será necessário aguardar por uma “explicação” relativa às receitas que o empresário diz serem necessárias para cobrir o “previsível aumento da despesa” que as medidas de um Governo socialista podem significar.

Focando-se nas críticas ao aumento salarial, que diz traduzir-se num relevante aumento da capacidade de caixa das empresas, Saraiva afirmou que esta medida pode prejudicar “o equilíbrio e a manutenção dos postos de trabalho” e pediu uma “política salarial credível”. No entanto, Saraiva sublinhou que as preocupações da CIP se referem a um número maior de medidas propostas pelos partidos de esquerda, como a reposição de feriados, que pode ser prejudicial à “produtividade” das empresas.

O presidente da CIP aproveitou ainda para deixar críticas à CGTP, acusando a central sindical de querer com este acordo “ganhar no Parlamento o que não ganhou em sede de concertação social”.

Audiências podem continuar até à próxima semana

A CIP foi o primeiro dos parceiros sociais a ser ouvido na ronda de audiências prevista pela Presidência da República, na manhã desta quinta-feira. Seguem-se reuniões com as Confederações do Comércio, da Cultura e do Turismo, que serão, tal como a CIP, recebidas por Cavaco Silva, assessores das respectivas áreas e representantes da Casa Civil.

As reuniões entre o chefe de Estado, os parceiros sociais e outras personalidades relevantes de várias áreas podem prolongar-se até à próxima semana, tendo em vista a decisão que Cavaco Silva deve tomar sobre a formação do próximo Executivo.

O Presidente da República pode optar por manter o atual Governo em funções de gestão até ser possível convocar novas eleições, convocar um Governo de iniciativa presidencial ou indigitar António Costa como primeiro-ministro.