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Ferreira Leite. A TAP “sempre foi um problema mal resolvido”

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Alberto Frias

A antiga ministra das Finanças defende que a privatização da Transportadora Área Portuguesa deveria “ter sido discutida com o maior partido da oposição”. Ferreira Leite admite que o PS “deixe na gaveta” a reversão da venda da empresa

Manuela Ferreira Leite disse que a questão da privatização da TAP foi um tema que “sempre dividiu” o Governo e a oposição. Na noite desta quinta-feira, no habitual espaço de comentário na TVI 24, a antiga ministra das Finanças sublinhou ainda que este “sempre foi um problema que esteve mal resolvido”.

“O problema da TAP sempre foi um problema que esteve mal resolvido. Na altura, disse que teria sido ajustado e aconselhável que o Governo, apesar de ter maioria absoluta, deveria ter discutido com o maior partido da oposição a privatização. (…) A venda foi concretizada em cima das eleições. Do ponto de vista político, foi mal resolvido. Do ponto de vista jurídico, já não havia nada a fazer”, defendeu Ferreira Leite.

Para a ex-líder dos sociais democratas, o que aconteceu esta quinta-feira foi apenas a assinatura de uma venda que “já estava consumada”. “Não foi hoje que eles [consórcio dos empresários David Neeleman e Humberto Pedrosa] foram inventar um empréstimo de 150 milhões de euros”, acrescentou.

O “mais provável” agora é que o PS governe e que António Costa seja indigitado como primeiro-ministro. Mesmo com os socialistas a governar, Ferreira Leite acredita que a privatização da TAP não será revertida devido aos custos que isso acarretaria.

Ferreira Leite justificou-se com as declarações de Mário Centeno, coordenador do cenário macroeconómico do PS e um dos nomes apontados para assumir a pasta das Finanças de um Governo socialistas, numa entrevista à RTP3 na quarta-feira à noite, em que este disse que o “princípio político da reversão [das privatizações]” ainda está “sujeito a uma avaliação quanto aos danos patrimoniais e orçamentais que poderá ter para o Estado”.

“Penso que o que pode acontecer é o PS considerar que a reversão [da venda da TAP] implica indeminizações elevadíssimas. Penso que deverá deixar esse dossiê na gaveta”, referiu Manuela Ferreira Leite.

A antiga líder do PSD disse ainda que se o “Partido Comunista e o Bloco de Esquerda se mantiverem no propósito de apresentar a reversão da privatização da TAP” e o Partido Socialistas não o fizer, isso pode motivar “o rompimento” do acordo à esquerda. No entanto, Ferreira Leite admite que o facto do PS meter o tema na gaveta pode também ser “sinal” que acordo “tem outro tipo de fundamento” e que comunistas e bloquistas têm a “a liberdade de manter a sua ideologia sem arrastar o PS”.

“Estamos num cenário que não é resultado das eleições”

Sobre a queda e formação de Governo, Manuela Ferreira Leite disse que apenas dois dias não são suficientes para Cavaco Silva tomar decisões”.

“Acha que era possível em dois dias o Presidente da República tomar a decisão? O Presidente tem que saber o que espera o país do Governo. Acho que isso não se faz em 48h horas e sem ouvir as forças vivas destes países - instituições patronais e sindicais e aquelas que fazem parte das Concertação Social”, defendeu Ferreira Leite.

Apesar de Cavaco Silva, ainda antes das eleições de 4 de outubro, ter assegurado que já tinha estudado todos os cenários, a ex-ministra das Finanças acredita que a atual situação política “é uma surpresa parta todos”. “Ninguém estava a prever essa situação. Uma coisa é imaginarmos os cenários que podem ocorrer outra coisa é tomar decisões sobre o que realmente pode acontecer. Estamos perante um cenário que não é resultado das eleições”, acrescentou.

Já mesmo na reta final, Ferreira Leite recusou comentar as declarações de Pedro Passos Coelho, em que o ainda primeiro-ministro apelou à revisão constitucional e à antecipação de eleições. “Uma revisão constitucional nem sequer é tema. Vamos tratar de assuntos que tenham real interesse para as pessoas e não só para a comunicação social”, rematou.