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Política

PS não exclui mais IRS sobre os rendimentos mais elevados

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Mário Centeno. O economista ao lado de António Costa

JOÃO CARLOS SANTOS

Zero compromisso. Mário Centeno não assume nada em relação ao que o PS se prepara para fazer em relação ao IRS, mas admite que “aritmeticamente” o aumento da progressividade pretendida possa ter essa consequência. Mesmo não sendo esse o objetivo

“Devemos olhar seriamente para o IRS e para os escalões do IRS e pensarmos, estudarmos, olharmos para os números – e ainda não temos acesso a informação detalhada sobre o IRS – e percebermos se conseguimos por aí fazer alguma melhoria no sentido redistributivo”, afirma, cauteloso, Mário Centeno, em entrevista esta noite à RTP 3.

Questionado pelo jornalista Vítor Gonçalves sobre as alterações em perspetiva para o IRS podem significar que descidas de IRS para os rendimentos mais baixos podem ter como contrapartida um aumento do IRS para quem ganha mais, Mário centeno respondeu:

“Nós não queremos aumentar a carga fiscal sobre o conjunto das famílias. [Mas] se estivermos a falar de uma redistribuição de rendimento, quase que aritmeticamente isso [aumento do IRS para os rendimentos mais altos] poderia acontecer. Mas achamos que as pessoas que trabalham pagam muitos impostos. Vamos olhar para esse assunto com muito cuidado”.

Mário Centeno prefere comentar uma medida do IRS que já está decidida: a criação do “imposto negativo”. “O complemento salarial anual traduz-se num apoio aos trabalhadores com mais baixos rendimentos e que juntam os mais baixos salários com precariedade laboral”, disse. E exemplificou: “Em 2013, 41% dos trabalhadores portugueses tiveram descontos inferiores ao equivalente a receber um salário mínimo durante 14 meses. 41% tiveram remunerações abaixo desse linear. Essa proposta [a do imposto negativo] corresponde a criar um novo escalão de IRS.”

Estas afirmações foram proferidas esta quarta feira à noite, numa entrevista de Mário Centeno à RTP3. Mário Centeno liderou o grupo de economistas do PS que preparam o quadro macroeconómico que sustentou o programa eleitoral e o programa de governo, sendo apontado como futuro ministro de um Executivo de António Costa, caso o Presidente Cavaco Silva convide o líder socialista a formar governo.