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“O mercado interno foi vilipendiado com a austeridade”

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FOTO MIGUEL A. LOPES/LUSA

Virar a página da austeridade é o que promete o PS. Mário Centeno diz que agora pára o processo de destruição das empresas e do rendimento das famílias

“O que nós apresentámos foi um conjunto de medidas que vira a página da austeridade, de forma controlada e financeiramente responsável. Claramente, o que nós nos propomos fazer significa pelo menos desfazer as medidas da austeridade dos últimos anos.” Mário Centeno, em entrevista esta quarta feira à noite na RTP 3, culpa a austeridade pela destruição da economia.

“O mercado interno foi vilipendiado ao longo deste processo de austeridade, que teve um efeito muito perverso sobre o tecido empresarial português. Foi uma desestrutração do tecido económico.”

O economista exemplifica: “A importação dos bens de consumo cresceu muito fortemente nos últimos dois anos”, mas “a produção nacional não”. Isso “significa que temos menos produção em Portugal de bens de consumo e portanto temos de importar mais bens de consumo. E isto significa ter levado para o fecho e para as falências milhares de pequenas e médias empresas.”

Mas a destruição, segundo Centeno, aconteceu também no rendimento das famílias. “Um país não consegue crescer sem ultrapassar problemas muito sérios de pobreza. Os países pobres crescem menos do que os países ricos. A questão dos rendimentos e da exclusão é absolutamente crucial. A sustentabilidade dos sistemas económicos não se avalia apenas pela sua dimensão financeira, mas pela capacidade que os países têm de associar essa dimensão financeira a uma dimensão económica e real."

Ora, em Portugal, “há uma situação de enorme stress colocada sobre as famílias”. E "as famílias, quando têm restrições financeiros, gasta menos na educação. O número é muito elucidativo. Baixa para metade a probabilidade de uma criança de 14 anos continuar os estudos se a sua família tiver restrições financeiras”.

“Temos de aliviar a restrição financeira sobre as empresas”, diz.

Estas afirmações foram proferidas esta quarta feira à noite, numa entrevista de Mário Centeno à RTP3. Mário Centeno liderou o grupo de economistas do PS que preparam o quadro macroeconómico que sustentou o programa eleitoral e o programa de governo, sendo apontado como futuro ministro de um Executivo de António Costa, caso o Presidente Cavaco Silva convide o líder socialista a formar governo.