Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

BE exige pedido de desculpas ao Porto Canal por causa de Pedro Arroja

  • 333

Numa carta enviada pelo Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda ao Porto Canal, o partido “declara o seu repúdio pelas declarações do dr. Pedro Arroja” e acusa o canal de não se distanciar do comentador. Lembra ainda que atualmente o incitamento “no que respeita ao sexo e ao género” ainda acontece

Expressões como “aquelas esganiçadas do Bloco de Esquerda” e “não queria aquelas mulheres nem dadas”, proferidas na passada terça-feira pelo economista Pedro Arroja no Porto Canal, levaram os bloquistas a exigir um pedido de desculpas ao canal. Esta quarta-feira, o BE enviou uma carta à direção da estação do norte do país, onde considerou as palavras do comentador “insultuosas” e de “carácter ofensivo e misógino”.

No texto assinado pelo grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, o partido “declara o seu repúdio pelas declarações do dr. Pedro Arroja” e lamenta que o canal não tenha emitido “de imediato um pedido de desculpas formal”, de forma a “estabelecer um distanciamento inequívoco” ao discurso do comentador.

Na última terça-feira, dia em que o Governo PSD/CDS caiu, o economista foi convidado pelo canal a comentar da situação política. Arroja, sem identificar os nomes, referiu-se aos elementos femininos do BE como “aquelas esganiçadas, sempre contra alguém ou contra alguma coisa”. Mas Arroja não se ficou por aqui.

“Aqui entre nós que ninguém nos ouve, eu não queria nenhuma daquelas mulheres - já tenho pensado - eu não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada. Nem dada! Porquê? Porque eu não conseguiria com elas, com uma delas, com uma mulher assim, construir uma comunidade, uma família. Elas estão sempre contra alguém ou contra alguma coisa. E lá em casa só havia dois tipos de pessoas, ou os filhos, ou o marido. O mais provável é que elas se pusessem contra o marido. Todas as noites, todos os dias, durante o dia no Parlamento, à noite com o marido: 'Porque tu é que tens a culpa disto!'. Com o tempo ia-me pôr fora de casa... e eu saía! E eu saía! E estou a imaginar o sentimento de alívio que sentiria nesse dia. 'Estou livre! Estou livre dela!”, continuou.

Na carta endereçada a Júlio Magalhães, - diretor-geral do Porto Canal , o BE sublinha que atualmente é “absolutamente consensual que o incitamento ao ódio racial ou religioso é inaceitável”, mas que “o mesmo não é adquirido no que respeita ao sexo e ao género”.

“É de relembrar que a desigualdade de género mata. Mais de quarenta mulheres são assassinadas pelo seu companheiro e ex-companheiro todos os anos em Portugal, um flagelo que não merece qualquer complacência ou aparente inocência em comentários públicos”, justifica a carta, que foi publicada na página Esquerda.net.

Os bloquistas socorrem-se ainda da Lei da Televisão e dos Serviços Audiovisuais a Pedido, Artigo 27.º sobre os limites à liberdade de programação, que prevê que deve ser respeitada “a dignidade da pessoa humana e os direitos, liberdades e garantias fundamentais” e não se pode difundir ou incitar ao “ao ódio racial, religioso, político ou gerado pela cor, origem étnica ou nacional, pelo sexo, pela orientação sexual ou pela deficiência”.

Nas últimas eleições, o Bloco elegeu 19 deputados, dos quais seis são mulheres: Catarina Martins, Mariana Mortágua, Joana Mortágua, Isabel Pires, Domicilia Costa e Sandra Costa.

Pedro Arroja é um economista do Porto e preside a uma sociedade gestora de ativos e de patrimónios a que dá o seu nome e é conhecido por ser politicamente incorreto.