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Aguiar-Branco: “Já não basta ganhar eleições para governar”

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André Kosters/Lusa

Lamento de ministro demissionário no Facebook. O ainda responsável pela pasta da Defesa diz que “estamos a aceitar um preço que nenhum verdadeiro democrata pode ou quer pagar”

O ministro demissionário da Defesa, José Pedro Aguiar-Branco, voltou a lamentar esta tarde na rede social Facebook que já não seja suficiente ganhar eleições para que seja permitido governar.

“Ao aceitarmos, em silêncio, o princípio de que ‘vale tudo para se atingir um fim’ estamos a aceitar um preço que nenhum verdadeiro democrata pode ou quer pagar: a legitimação do desrespeito da vontade popular”, escreveu Aguiar-Branco.

Na quinta-feira passada, à margem do exercício militar Trident Juncture, no maior realizado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) nos últimos dez anos acusou PS, BE e PCP de protagonizar uma "conspiração de secretaria" para chegar ao Governo.

Nesse mesmo dia, numa entrevista ao “Jornal das 8” da TVI defendeu que o secretário-geral dos socialistas, António Costa, deveria ser “o primeiro a reclamar eleições”.

“Acho que o deve fazer e acredito que vai ter coragem para o fazer. Ele foi o segundo partido mais votado nas eleições, foi derrotado, três derrotados [PS, PCP e Bloco de Esquerda] não dão um vencedor e, portanto, António Costa para ter legitimidade política seguramente quererá, na boa ética republicana, devolver a voz do povo à população e aquilo que é a coligação que ele apresenta, se apresentar”, afirmou Aguiar-Branco.

A 30 de outubro, dia em que tomou posse como ministro da Defesa do XX Governo Constitucional, escreveiu também no Facebook: “A coligação que teve mais votos e venceu as eleições foi chamada a formar governo. O que não é normal, em democracia, é a conspiração de secretaria que temos assistido nas últimas semanas.”

O XX Governo constitucional ficou terça-feira demitido em consequência da aprovação de uma moção de rejeição ao seu programa. Até à posse do governo que o vier substituir, o atual executivo mantém funções de gestão.