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“Não é todos os dias que se sai do Governo com o voto do eleitorado”

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Marcos Borga

Passos Coelho despediu-se com um aviso para Cavaco: o acordo das esquerdas “não sustenta uma maioria positiva”. A Costa deixou outro aviso: se os parceiros lhe faltarem, não conte com ele

"O que se passou não é normal". Foi em tom de indignação política que Pedro Passos Coelho se despediu do Parlamento e enviou um recado ao Presidente da República: o acordo das esquerdas "até agora não passou duma maioria negativa".

"Nao acredito na coesão desta maioria e desconfio que o país tambem não", afirmou o primeiro-ministro. Que deixou dois avisos a António Costa:" não só esta maioria negativa vai ter que evoluir mais para ser uma maioria positiva, como vai ter que ser sufiente", ou seja, não poderá contar com o apoio do PSD ou do CDS.

Paulo Portas ja o tinha dito e Passos confirmou-o: "quem hoje votar pelo derrube do Governo que ganhou as eleições, não tem legitimidade para mais tarde vir reclamar sentido de patriotismo a quem hoje negaram" apoio.

Esta declaração de não apoio a Costa inclui, avisou Passos Coelho, “a ação corrente do Governo” e “outras questões maiores, sejam orçamentos de Estado, e “Programas de Estabilidade, a execução de reformas estruturais, ou o cumprimento de regras europeias”.

"Não há aqui revanchismos, o que há é uma questão de ética republicana também", afirmou o PM, poucos minutos antes de ver o seu Governo derrubado. Passos Coelho antecipou esse momento como quem vive um momento histórico - "não é todos os dias que se sai do Governo com o voto do povo. Poucos políticos se podem gabar disso".

Reafirmando a sua frase de sempre - "não abandono o meu país", Passos mostrou-se disposto a "continuar a lutar por Portugal", agora na oposição. " Se não nos deixam fazê-lo no Governo, lutarei no Parlamento, mas continuaremos a lutar por Portugal, como estamos habituados a fazer".

Sobre o futuro Governo, Passos lançou um manto de descrença:" aguardaremos pela fatura correspondente"

Sobre a opção de António Costa de derrubar o seu Governo, Passos foi duro na apreciação: "não há unidade nas oposições, basta ver os seus programas"; "foi penoso ouvir António Costa dizer que não tem garantias de evitar o derrube do seu próprio Governo"; "o que move o PS hoje não é senão o apetite pelo poder"; "convidei-o para negociar mas preferiu ser radical".

Agora, avisou o PM, Costa " tem a obrigação de converter esta maioria negativa numa maioria positiva". Porque, se for para insistir num Governo minoritário sem garantias de estabilidade, então, perguntou Passos, porque é que Costa não deu essa oportunidade à coligação que ganhou as eleições?