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Dia quente na Assembleia. Dentro e fora

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TIAGO MIRANDA

Se no interior do hemiciclo os deputados se preparam para derrubar o Governo, no exterior duas manifestações separadas só têm um objetivo: protestar. A CGTP manifesta-se pela queda do Executivo e outro movimento apoia a manutenção de Passos e Portas

A votação do programa do Governo vai ser esta terça-feira acompanhada, em São Bento, por duas manifestações antagónicas: uma da CGTP, que quer uma viragem à esquerda e a queda do Governo, e outra de apoio ao Executivo.

A CGTP promove uma concentração nacional de ativistas e dirigentes sindicais ao início da tarde frente à Assembleia da República (AR) para assinalar "a rejeição do programa do Governo do PSD/CDS e, consequentemente, a sua demissão".

"Queremos dar força ao que se vai passar na AR, a rejeição do programa do Governo, seguindo o caminho para a queda do Governo e reafirmar a importância de mudar de políticas", disse à agência Lusa Armando Farias, da comissão executiva da Intersindical.

Com o objetivo contrário vão estar também em São Bento apoiantes do Governo, provenientes principalmente do alto Alentejo. A ideia desta concentração, que começa duas horas antes da CGTP, foi lançada nas redes sociais pelo líder do CDS de Monforte, Mário Gonçalves, sob o lema "Não a uma moção de rejeição".

Tiago Abreu, líder da distrital do CDS de Portalegre, disse à Lusa que se trata de "uma manifestação pacífica, que não tem nada a ver com o partido, e que está a ter uma adesão inesperada no facebook".

"Muitos ou poucos lá estaremos, mas a expectativa é de que apareça muita gente do Alentejo pois as pessoas mais velhas têm muito presente o que se passou no PREC e não querem que se repita", afirmou o dirigente centrista.

Os promotores de ambas as concentrações procederam de acordo com a lei e informaram a autarquia lisboeta das concentrações junto ao parlamento, resta saber como é que a polícia, que acompanha sempre as ações de protesto, irá distribuir o espaço dado que as duas organizações pretendem ficar frente à escadaria do Palácio de São Bento.

Protestos decorrem até ao fim da votação no Parlamento

"Estamos programados para ficar frente à escadaria da Assembleia e esperamos que assim seja, até porque contamos com a participação de 10 mil a 15 mil pessoas", disse à agência Lusa João Torrado da União dos Sindicatos de Lisboa da CGTP, que há várias décadas trata da organização dos protestos na capital.

Os dirigentes e ativistas sindicais do norte e centro do país vão diretamente para São Bento, mas os dos distritos de Setúbal, do Alentejo e Algarve concentram-se antes em Santos, seguindo para a Assembleia da República, com o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos.
O protesto decorre até ao final da votação parlamentar.

Os dirigentes e ativistas sindicais vão aproveitar a oportunidade para reafirmar as reivindicações da CGTP, nomeadamente o aumento dos salários e pensões, o emprego e o combate à precariedade, os direitos e a defesa da contratação coletiva, as Funções Sociais do Estado e da defesa dos serviços públicos e do Sector Empresarial do Estado.

O Sindicato dos Estivadores, que tem uma greve marcada para dia 14, também participa na concentração da CGTP.