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Política

Costa. Moção de censura do PCP ou BE será como “meter os papéis do divórcio”

Marcos Borga

Reconhecendo as diferenças que separam os partidos de esquerda, António Costa afirma que se alguma força apresentar uma moção preparam-se os “papéis de divórcio” e o “casamento” termina. Mas garante que o acordo entre PS, BE, PCP e PEV não é um “cheque em branco”

À saída do hemiciclo, onde foi aprovada a moção de rejeição ao programa do PSD/CDS, António Costa afirmou que a Assembleia da República manifestou a "vontade maioritária" dos portugueses que foi expressa nas legislativas.

Admitindo as diferenças que separam os partidos de esquerda, o secretário-geral do PS declarou que se alguma força política apresentar uma moção a aliança termina. "No dia em que qualquer deles sentir a necessidade de apresentar uma moção de censura, é a mesma coisa que qualquer um de nós meter os papéis do divórcio: nesse dia o casamento acabou, o Governo acabou."

Mas Costa garante que o acordo entre PS, BE, PCP e PEV não é um "cheque em branco" e resulta, ao invés, de uma base de "seriedade." "Acho que é inequívoco o compromisso de que será rejeitada [uma moção]. Quando os partidos assumem condições para a estabilidade da legislatura, penso que há condições para não haver qualquer moção de censura", disse aos jornalistas.

O líder socialista referiu ainda que o acordo à esquerda garante um suporte maioritário no Parlamento que permite a Constituição de um Governo do PS com condições de estabilidade, em linha com o que o Presidente da República invocou.

"Podemos responder àquilo que Portugal precisa, estabilidade, àquilo que os portugueses manifestaram, a vontade de mudança e o escrupuloso cumprimento das obrigações europeias, nomeadamente a participação no euro", declarou.

Para Bruxelas, ficou também um recado: "A zona euro não é um espaço de pensamento único, mas democrático".

Defendeu ainda que a solução governativa liderada pelo PS é garantia de uma "mudança com segurança", possibilitando o aumento do rendimento das famílias, o investimento das empresas e o aumento do crescimento e da criação de emprego.

"Como o Presidente da República disse, a última vontade é da Assembleia da República. Vamos aguardar serenamente que senhor Presidente da República decida indigitar um novo primeiro-ministro."

Confrontado sobre o facto do acordo das esquerdas ter sido assinado numa sessão privada, Costa respondeu que esse momento "não foi para a fotografia. Foi necessário para assegurar a execução da mudança que os portugueses desejam".

  • Afinal, PCP poderá apresentar moções de censura contra o PS

    O documento assinado por Jerónimo de Sousa e António Costa, prevê-se ainda que venham a ser examinadas em reuniões bilaterais matérias relacionadas com legislação com impacto orçamental, iniciativas legislativas de outros grupos parlamentares e outras que constituam aspetos fundamentais da governação e funcionamento do Parlamento

  • PS e BE reconhecem “natureza distinta” mas valorizam “pontos de convergência”

    O acordo entre socialistas e bloquistas prevê a criação de cinco de grupos de trabalhos, integrados pelos signatários e pelo membro do Governo responsável. Moções de censura ao Governo serão examinadas previamente em “reuniões bilaterais” entre PS e Bloco. Orçamentos de Estado serão submetidos a um “exame comum”. No geral, é apenas o “grau de confiança que foi possível alcançar”. E o grau de compromisso fica longe de ser absoluto