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“Costa para a rua, a casa não é tua!”

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Tiago Miranda

Trafulhice. Aldrabice. Traidor. Palavras fortes de senhoras de direita na manifestação pró-Passos e Portas esta tarde frente ao Parlamento

“Vim cá lutar contra o futuro Governo de comunistas e de extrema-esquerda porque quem ganhou foi o Passos”. E não veio sozinha. Aos 67 anos, Leonor Coutinho, doméstica, foi uma entre dezenas de manifestantes que estiveram esta tarde frente ao Parlamento em defesa da coligação Portugal à Frente (PàF).

“Vamos à falência. Vamos ser uma segunda Grécia”, vaticinou esta filiada no Partido Social Democrata para logo acrescentar: “António Costa é um oportunista e o que quer é poder e só se interessa por ele próprio. Ele e o Ferro Rodrigues repugnam-me.”

Sobre os acordos à esquerda, Leonor Coutinho, que soube da manifestação pelo Facebook, diz que “é tudo muito bonito e era ótimo o aumento dos ordenados mas gostava de saber onde é que eles vão buscar o dinheiro. O meu marido recebe metade da reforma que recebia. Fizemos sacrifícios durante quatro anos e agora vai dar em nada.” E não tem dúvidas de que “se houvesse eleições agora a PàF atingia a maioria”.

Não menos indignada estava Maria Júlia, 73 anos, reformad, ex-consultora de informática numa multinacional, que soube do protesto por amigos.

Diz que veio manifestar-se “por Portugal” contra “um acordo que é uma trafulhice”. Considera que Cavaco devia dar posse a um Governo de gestão mas afirma: “Não sou contra os comunistas e os bloquistas. Sou contra a incompetência, a inconsciência e a aldrabice. O que António Costa fez foi uma traição ao povo português, a uma maioria de 70% que não quer o Leninismo nem o Estalinismo.”

“Os próprios socialistas estão confundidos e foram enganados durante a campanha por um senhor que é o maior traidor de Portugal: António Costa”, afirma.

Maria Eugénia Pereira, 64 anos, aposentada, concorda com a leitura de Maria Júlia e entende que “quem vai assumir o poder [se o PS formar um governo com o apoio do PCP e do Bloco de Esquerda] não são os socialistas, porque foram enganados” mas “um grupo de bandidos, pedófilos e ladrões que mataram Sá Carneiro que assumiram o poder”.

Pelas 15 horas, quando estavam a chegar ao Parlamento os manifestantes da CGTP oriundo da avenida D. Carlos I, Leonor, Júlia e Eugénia e tantas outras senhoras bem trajadas e homens engravatados já estavam de saída, pela Rua de São Bento. A imagem de um outro Portugal que não se costuma ver frente à Assembleia em dia de manifestação. “Vamos embora porque não queremos confusões. Tudo tem um princípio e um fim. Até as manifestações”, dizia uma senhora.

Mas para um grupo de jovens com bandeiras do PSD, CDS e PàF, a manifestação pró-Passos e Portas ainda não tinha chegado ao fim. E quando já se escutavam as palavras de ordem da CGTP, voltaram atrás para gritar: “CGTP vergonha nacional” e “Costa para a rua a casa não é tua!”

Horas mais tarde, já depois de votada e aprovada a moção de censura, o grupo de resistentes estava reduzido a cerca de 50 pessoas. Mas ainda com ânimo para gritar: “Passos, amigo, o povo está contigo”, guardando os insultos para António Costa. “Vigarista”, chamavam, enquanto agitavam bandeiras e cachecóis de Portugal.

(Texto atualizado às 17h45)