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Costa: “Acabou um tabu, derrubou-se um muro”

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FOTO Luís Barra

Líder socialista afirma que sempre disse que não permitiria a continuação das políticas do Governo PSD/CDS, frisando que “palavra dada é palavra honrada”. E lembra que “quem colocou a maioria em minoria” foram os portugueses, acusando a coligação de “revanchismo”. Houve ainda recados para Cavaco

"E democracia há sempre alternativa", afirmou esta tarde António Costa durante a sua intervenção no parlamento, no segundo dia de debate do programa do Governo.

"A coligação perdeu a maioria e está agora em minoria nesta Assembleia da República. Esta é a expressão aritmética e política da vontade de mudança que os cidadãos manifestaram nas urnas e que nos cabe respeitar e fazer cumprir”, disse o líder socialista.

Defendendo que o programa do Governo não traduz uma "vontade de mudança", Costa falou num "programa de continuidade sem evolução", que prossegue o caminho da austeridade e do empobrecimento.

Lembrou que sempre disse que não permitiria a continuação das políticas do Governo PSD/CDS, sustentando que "palavra dada é palavra honrada", afirmação que arrancou risos generalizados das bancadas da coligação. "Quem colocou a maioria em minoria foram os votos soberanos dos eleitores", reforçou.

Sobre a alternativa de esquerda, o secretário-geral do PS elogiou o espírito de compromisso do BE, PCP e PEV, sustentando que a esquerda continuará a ser "plural e diversa". "Acabou um tabu, derrubou-se um muro, venceu-se um preconceito", declarou.

Dirigindo-se à coligação, Costa disse que é preciso perceber finalmente que todas as forças políticas que têm lugar na Assembleia da República têm "legitimidade" para participar nas soluções do Executivo.

"Pela primeira vez pode haver um Governo resultante de acordos parlamentares entre o PS, o BE, PCP e PEV. É uma novidade que valoriza o pluralismo parlamentar e que enriquece a democracia".

Afirmando que chegou a altura de romper com o "radicalismo ideológico" e a "arrogância", António Costa destacou o sentido de "responsabilidade democrática" dos partidos de esquerda. Por seu turno, acusou o PSD/CDS de "revanchismo".

"Não somos, como a coligação já demonstrou ser, incapazes de construir uma solução de maioria, mas não somos mesmo uma oposição como o PSD e o CDS já anunciaram que iriam ser, animada pelo revanchismo e focada na obstrução."

Em jeito de recado para o Presidente da República, o líder socialista disse que ao contrário da coligação que não conseguiu condições de governabilidade, o acordo à esquerda garante uma solução "coerente, credível e consistente" de governação com condições de estabilidade ao longo da legislatura.

“Este é o momento de pôr termo à governação da coligação PSD/CDS, para abrir um novo ciclo governativo. Só assim podemos virar a página dando aos portugueses um novo tempo de esperança no futuro e de confiança em Portugal", concluiu.