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Rui Tavares: “Há que governar melhor e de forma duradoura”

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PAULO NOVAIS/ Lusa

Líder do Livre defende que se fez “história” e que a partir de agora já não há razões para falta de entendimentos à esquerda

Num artigo de opinião publicado no jornal “Público” esta segunda-feira, Rui Tavares afirma que sempre defendeu um novo rumo para a política nacional, baseada num entendimento à esquerda. E que o atual acordo entre o PS, BE, PCP e PEV vai melhorar a vida dos portugueses, passando a ser uma alternativa governativa.

“As direções partidárias de esquerda quiseram finalmente chegar a entendimento, e isso — sendo simples — muda tudo.
Começa por mudar o mais importante, melhorando as condições concretas de vida dos portugueses. Basta ler as medidas que resultaram das negociações entre PS, BE, PCP e PEV”, escreve o líder do Livre.

Rui Tavares elenca algumas das medidas anunciadas que cortam com a austeridade como: o aumento do salário mínimo nacional, a devolução dos cortes nas pensões, a devolução da sobretaxa de IRS e o congelamento das privatizações.

“Ao contrário do que muita gente teimosamente continuava a afirmar, ainda há diferenças entre uma governação à direita e outra à esquerda. Mais do que isso: com a deriva austeritária da direita europeia, essas diferenças são maiores do que em muitas décadas. Para a esquerda, a conclusão deveria ser óbvia: é possível defender o estado social e cumprir a Constituição lá onde as políticas se implementam e as mudanças são mais eficazes.”

“Mas muda mais ainda: muda a política portuguesa, e provavelmente em definitivo”, sustenta.

Segundo o líder do Livre, a direita perde a sua espécie de “direito de pernada” de ficar no poder, enquanto o centro-esquerda deixa de ser “refém da direita”, não havendo mais desculpas para falta de entendimentos à esquerda.

“Acabam os álibis e os pretextos para a falta de entendimento, e com eles aquele niilismo de esquerda que insistia que tudo era igual independentemente do partido ou partidos que estivessem no Governo”.

Ainda que reconheça que o eventual novo cenário governativo possa dar azo a alguns receios, nomeadamente ao nível da tática e que lamente que ainda persista o “tabu” de integrar membros dos outros partidos à esquerda do PS num Governo, Rui Tavares manifesta-se satisfeito com o novo quadro político. Mas deixa um aviso: “Não bastará à esquerda governar: há que governar melhor, e de forma duradoura”.