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Passos: “Não escondo a minha apreensão no arranque desta legislatura”

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Marcos Borga

Primeiro-ministro afirma que as políticas recessivas não foram uma escolha, mas uma necessidade. Quanto ao novo programa do Executivo, que está a ser apresentado no Parlamento, garante que tem uma base “coesa e credível”. E avisa que isso é “mais importante do que uma base aritmética”

No arranque do debate do programa do XX Governo Constitucional, Passos Coelho afirmou esta tarde que o início desta legislatura rompe com antigas convenções, admitindo que receia das opções dos partidos de esquerda.

"Não escondo a minha apreensão no arranque desta legislatura que rompe com algumas convenções parlamentares, a minha apreensão com que olho as promessas de novas convenções que querem para este mandato", declarou o primeiro-ministro no Parlamento.

Garantindo que a base do programa do Governo PSD/CDS é "coesa e credível" e que tem como objetivo central a estabilidade, Passos avisa que isso é “mais importante do que uma base aritmética”. E explica que o programa revela em si uma identidade política que resulta da vontade dos portugueses expressa no passado dia 4 de outubro. "É natural que assim seja. Seria fraudulento que por essa contigência democrática tivéssemos que alterar significativamente o programa que apresentámos aos portugueses", sustenta.

Referindo-se implicitamente às negociações com o PS, o primeiro-ministro reitera que a coligação esteve sempre disponível para dialogar, embora não estivesse disposta a aceitar um programa de Governo que não era seu.

"Uma coisa é o diálogo, coisa bem diferente seria trocar o programa e desrespeitar e defraudar aqueles que escolheram para governar o país. Isso nós nunca faríamos".

Passos Coelho criticou ainda a visão "míope" sobre a austeridade, garantindo que as políticas recessivas não foram uma opção, mas uma necessidade e que os portugueses escolheram nas eleições um caminho de "reformas seguras e graduais" e "de matriz europeia."

Afirmou ainda que a apresentação do programa da coligação "nunca será uma perda de tempo" porque dá "expressão à vontade dos portugueses"."Se tivesse perdido as eleições não me encontrava sentado no sítio onde estou".

Em relação ao acordo à esquerda, o primeiro-ministro diz que se opõe a uma "política de ruína" em que os "portugueses são vistos apenas como instrumentos de jogadas políticas e de poder."

E deixa um último apelo aos deputados: "Cabe a cada um assumir as responsabilidades democráticas e políticas".