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Política

PS corta no investimento público para pagar salários

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Programa de Governo da esquerda retira 700 milhões de euros em investimento ao programa eleitoral do PS para pagar aumento de salários da função pública

De onde vem o dinheiro para pagar o aumento de despesa que o acordo à esquerda gera? Segundo a proposta de programa do Governo apresentada pelo Partido Socialista, o aumento da despesa com pessoal das administrações públicas é de cerca de 875 milhões de euros face ao programa eleitoral do PS. Ou seja, um custo originado depois de fechadas as negociações com Bloco de Esquerda, Partido Comunista e Verdes.

O quadro que consta da última página da proposta, e que compara o programa do Governo do PS com o seu programa eleitoral, mostra uma quebra de 0,4% do PIB (cerca de 700 milhões de euros) nas despesas de capital, ou seja, investimento público. Esta descida é anulada pelo aumento das despesas com pessoal em 0,5% do PIB (875 milhões de euros). O resto das rubricas mantém-se constante, pelo que no final, e apesar da discrepância entre os dois valores em 0,1 pontos percentuais (diferença que deve ser explicada pelos arredondamento dos números do quadro), o valor da despesa total é o mesmo.

Ou seja, para conseguir pagar o aumento com a despesa de pessoal a forma encontrada foi reduzir o nível de investimento público originalmente previsto pelo cenário macroeconómico de Mário Centeno

Do lado da receita o programa do Governo do PS espera arrecadar mais 0,1% do PIB do que estava previsto contudo o quadro não discrimina de onde vem este aumento.

As contas do PS mostram um cenário para 2016 onde a despesa total em percentagem do PIB é menor à registada em 2015. Também a receita total deverá ser menor o que permitirá, segundo o documento, atingir um défice orçamental de 2,8% no próximo ano. A descer está também a dívida pública, que deverá fechar o ano nos 123,8% do PIB contra os 128,2% que deverá registar este ano.

O documento não mostra porém qual é o valor de crescimento do PIB previsto para a economia, nem a taxa de inflação esperada. Nem qual o impacto no crescimento destas medidas. Uma coisa é certa, de acordo com a teoria económica, o investimento tem um impacto mais duradouro no PIB do que aquele originado em despesa.